PT vê ''fogo amigo'' de tucanos em Minas

Comando do partido pede que Polícia Federal apure elaboração de dossiê no período em que Aécio enfrentava disputa interna com Serra

Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

O PT partiu para o contra-ataque ao candidato José Serra (PSDB) no escândalo da quebra de sigilo fiscal de integrantes da cúpula tucana e de Verônica Serra. O presidente do partido e coordenador da campanha de Dilma Rousseff, José Eduardo Dutra, recorreu à Polícia Federal para pedir a apuração de suposto interesse de tucanos mineiros na origem do vazamento de dados e elaboração de dossiê para atingir Serra.

Dutra incluiu ao pedido de investigação encaminhado anteriormente à PF cópias de reportagens publicadas, de junho até agora, dando conta de que a coleta de dados dos tucanos teria sido resultado de fogo-amigo no PSDB, durante o período em que o então governador de Minas, Aécio Neves, enfrentava uma disputa interna com Serra em torno da escolha do candidato à Presidência da República. É o que relata uma das reportagens anexadas por ele no pedido à PF.

O petista nega que esteja fazendo insinuações ou acusando indiretamente Aécio Neves de ter interesse e de estar por trás de devassa em dados fiscais de Verônica Serra, de Eduardo Jorge, de Luiz Carlos Mendonça de Barros, de Ricardo Sérgio e de Gregório Marin Preciado. "Nós não vamos fazer qualquer acusação ou ilação com relação aos responsáveis pelos fatos dessa natureza, mesmo da oposição", disse Dutra. "Cabe à PF fazer investigação entre um episódio e o outro, considerando que há informações de coleta de material jornalístico", continuou.

Uma das reportagens encaminhadas por Dutra à PF, publicada na revista Época desta semana, relata que o jornalista Amaury Ribeiro Jr., no ano passado, quando trabalhava para o jornal O Estado de Minas, foi escalado para fazer investigações sobre pessoas ligadas a Serra.

De acordo com a reportagem, o interesse do jornal poderia estar relacionado ao apoio que a empresa deu ao projeto de candidatura presidencial de Aécio, encerrada meses depois. Ainda segundo a reportagem, o jornalista, depois que deixou o jornal, teria manifestado interesse em levar as informações para a campanha de Dilma. "Todas as matérias dizem respeito as investigação sendo feitas contra pessoas do PSDB", disse Dutra.

O interesse, segundo ele, é verificar as relações da investigação jornalística com a quebra de sigilo fiscal. "Há coleta de informações feita em Minas sobre o PSDB, queremos que a Polícia Federal investigue que grau de veracidade tem isso e a relação entre os dois casos", reafirmou.

Entre os pedidos, Dutra quer que a PF ouça Amaury Jr. na investigação do vazamento de informações. Além do texto da Época, o PT pediu a inclusão de reportagens publicadas na revista Carta Capital de 21 de junho e do jornal Folha de S. Paulo de 5 de junho. Elas também se referem a dados coletados pelo jornalista em sua passagem pelo jornal mineiro, "próximo politicamente" ao ex-governador Aécio Neves.

Cobrança. Ontem, em Pará de Minas, Aécio, na companhia de Serra, defendeu investigações profundas da violação de sigilo e afirmou que o PT e o governo petista têm de tratar a questão com responsabilidade. "Não é possível que nós, no momento como esse e com denúncias dessa gravidade, tenhamos que assistir a lideranças importantes do PT tentando tergiversar", disse. "Queremos que a Polícia Federal ouça a todos e apresente ao Brasil quem são os responsáveis. A democracia não pode ser tratada no Brasil como tem sido tratada até aqui por alguns dirigentes do PT", afirmou Aécio. Ele sugeriu que o PT ouça seus integrantes. "Sucessivamente eles é que estão vinculados a esse tipo de atitude, que não é política, é criminosa", afirmou.

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