PTB formaliza apoio à candidatura de Serra

Adesão à coligação do tucano foi aprovada por unanimidade, mas houve pacto para evitar exposição da preferência dos parlamentares por Dilma

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2010 | 00h00

O PTB conseguiu abafar divergências internas e oficializou, ontem, o apoio formal à candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência. O presidente nacional da sigla, Roberto Jefferson (RJ), comemorou a aprovação, por unanimidade, da adesão à coligação do tucano.

O resultado da convenção nacional, porém, exigiu a costura de um pacto interno para evitar que fosse exposta a preferência da bancada federal do PTB à candidatura da petista Dilma Rousseff à sucessão presidencial.

O líder do PTB, Jovair Arantes (GO), concordou em não apresentar ofício para que fosse analisada a possibilidade de o partido apoiar a candidatura de Dilma.

"Para não causar cizânia partidária, preferi não apresentar. Mas vamos continuar apoiando a Dilma", assegurou. O pacto foi negociado com Roberto Jefferson. "É um ajuste que fizemos, entendendo que a prioridade é o crescimento do partido", justificou o líder petebista. Segundo ele, 21 entre os 22 parlamentares defendem o apoio à petista. Como o objetivo central do PTB nesta eleição, enfatizou o líder, é aumentar a bancada, prevaleceu o acordo contra rachas e confrontos com a presidência.

"Não é toda a bancada (federal) que está com Dilma", minimizou Roberto Jefferson. O ex-parlamentar, que participou de reuniões de cúpula do governo no primeiro mandato do presidente Lula, previu que esta eleição será definida em dois turnos. "Quanto mais tempo o povo tiver para ouvir a Dona Dilma melhor", ironizou, insinuando que a petista terá desempenho ruim em debates. Ele defendeu, ainda, que o PTB construa uma candidatura à Presidência para 2014.

Sobre as dissidências nos Estados, Jefferson contemporizou: ''Temos uma decisão partidária de interpretar o sentimento da lógica regional dos palanques''.

Rompimento. Jefferson rompeu com o governo Lula após ter denunciado o chamado esquema do mensalão que, segundo ele, se tratou de "cooptação financeira de membros do Congresso para aprovar projetos de interesse do governo". O ex-deputado, que teve o mandato cassado em 2005, é um dos réus no processo sobre o mensalão que tramita no Supremo Tribunal Federal. "Sobre o processo, depois me manifesto. Está andando."

TV. Com a adesão do PTB à coligação tucana, já integrada pelo DEM e pelo PPS, Serra terá cerca de sete minutos na propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV nos blocos de 25 minutos. Devido à coligação com o PMDB, o tempo de Dilma supera o do tucano e pode chegar a 10 minutos. Hoje, Serra e dirigentes do PSDB, incluindo o candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, participarão do encerramento da convenção do PTB.

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