REUTERS/Michael Dalder
REUTERS/Michael Dalder

Publicar imagens de crianças nas redes sociais? Especialistas recomendam cuidados

Prática de expor fotos e vídeos dos filhos cresceu na pandemia por causa do isolamento social; veja como proteger o seu filho

Júlia Marques, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2021 | 05h00

O hábito de publicar imagens das crianças na internet ganhou até nome: “sharenting”, junção dos termos em inglês “share” (compartilhar) e “parenting” (paternidade). A prática é comum, e se tornou mais frequente durante a pandemia, diante da vontade dos pais de se conectar com outras famílias e trocar experiências. As publicações devem respeitar o direito à privacidade das crianças e os pais têm de tomar cuidado para evitar compartilhamentos que sejam ofensivos ou possam ser usados em outros contextos.

Veja dicas de especialistas: 

  • Pegadas digitais são difíceis de apagar. Compartilhar fotos e vídeos de crianças na internet pode ser uma forma de conexão com outros pais e troca de experiências, mas é importante ter em mente que qualquer publicação cria “rastros digitais” que dificilmente são apagados.
  • Cuidado com o que parece lindo hoje. Antes de postar, é importante refletir se a publicação expõe a criança a situações desconfortáveis ou que a deixariam envergonhada. “Toda criança vai crescer um dia. O que achamos que é ‘engraçadinho’ na infância, muitas não tem nenhuma graça na adolescência”, diz Juliana Cunha, da Safernet. Evite revelar momentos íntimos como birras e o desfralde.
  • Fotos podem ser retiradas de contexto. Não publique fotos da criança nua ou com pouca roupa. Mesmo conteúdos que não têm contexto sexual, como poses, brincadeira na piscina ou o bebê de fraldas, podem ser passíveis de sexualização se retirados do contexto em redes de pornografia.   
  • Local da criança não deve ser divulgado. Evite fotos que revelem detalhes da rotina da criança e indiquem onde mora e onde estuda. Imagens que mostram o uniforme da criança, por exemplo, podem facilitar a localização dela. 
  • Ouça o que a criança tem a dizer sobre a presença nas redes. Crianças têm o direito de opinar sobre o que será compartilhado. É possível, por exemplo, perguntar a ela se gosta de determinada foto e se vê problema em mostrar a imagem a outras pessoas. 
  • Perfis privados ajudam no controle (mas não anulam riscos). Perfis de crianças gerenciados pelos pais com a intenção de mostrá-la a parentes e amigos devem ser privados. Em perfis privados, apenas quem segue a criança pode ver as fotos - e isso facilita o controle pelos pais sobre o alcance das publicações. Saiba, porém, que mesmo em perfis privados, há o risco de que as imagens sejam replicadas por um dos seguidores e ganhem a internet. 
  • Conexão pode ocorrer em fóruns anônimos e sem imagens. Pais que querem desabafar sobre temas delicados relacionados aos filhos e se conectar com pessoas que passam por dificuldades semelhantes podem usar fóruns na internet com postagens anônimas e sem fotos. Dessa forma, fica garantida a privacidade da criança e a expressão dos pais.    
  • Crianças podem fazer propaganda, mas com regras. A legislação brasileira não veta a publicidade direcionada para adultos, com participação de crianças, mas o trabalho artístico deve respeitar a infância e o direito a brincar. Especialistas defendem que essa atuação de influenciadores digitais mirins seja regulada por alvará judicial e monitorada. Já propagandas direcionadas a crianças não são permitidas e devem ser denunciadas. 
  • Quem usa as redes pode denunciar comportamentos agressivos em relação às crianças. Usuários das redes sociais que identifiquem publicações que ferem os direitos de crianças e adolescentes devem denunciar em canais na própria plataforma ou a organizações que têm atuação na proteção dos direitos da criança. 

 

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