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Publicidade sobre imigração do Governo Federal causa polêmica

Segundo internautas, ao retratar um negro e dizer que a imigração faz parte do sangue brasileiro, peça faz associação com escravidão

O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2015 | 19h14

SÃO PAULO - Uma campanha publicitária do Ministério da Justiça para combater a xenofobia e a intolerância no País causou polêmica nesta quarta-feira, 14, nas redes sociais. A peça retrata Matheus Gomes, um jovem negro de 18 anos, ao lado dos dizeres: “Meu avô é angolano e meu bisavô é ganês. Brasil, a imigração está no nosso sangue”. Nos comentários, as pessoas disseram que escravos africanos que foram forçados a vir ao Brasil não podem ser confundidos com imigrantes.

“Só era o que me faltava! Vocês classificarem escravidão como imigração. Ai, me poupe Ministério da Justiça, quanta falta de empatia por uma história”, escreveu uma internauta. “O que estão fazendo é romantizar a escravatura”, postou outro usuário.

Alguns ainda defenderam o ministério: “Nem todos os negros que vieram para o Brasil foram por meio da escravidão, alguns imigraram sim em busca de emprego e vida melhor. No caso do avô e bisavô deste rapaz do post, ele teria que ser idoso para ter bisavós escravos. Questão de interpretação. Racista é pensar que todos os negros que vieram eram escravos.”

Para a doutora em História Social e professora aposentada da USP, Maria Aparecida de Aquino, realmente o jovem teria de ser mais velho para que tivesse parentes escravos. Além disso, o que se sabe hoje é que os africanos que chegaram ao País vieram do antigo Sudão. “A peça não foi bem escolhida. Até sou capaz de entender a intenção do ministério de mostrar a ideia da multirracialidade, mas gera confusão.”

O Ministério da Justiça respondeu a cada um dos comentários no Facebook lamentando que a postagem tenha levado a “interpretações que associavam escravidão e imigração". "Essa absolutamente não era a intenção, e por esse motivo pedimos desculpas", afirmou a pasta, agradecendo as contribuições. Disse ainda que "apoia a importante discussão sobre a escravidão na nossa história."

Segundo o ministério, o objetivo é "sensibilizar quanto à importância de enfrentar toda forma ódio, preconceito e a intolerância, inclusive o racismo, além de mostrar que a sociedade brasileira é composta de descendentes de imigrantes de todas as partes do mundo, que ajudaram a construir o país que conhecemos hoje."

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