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Público decepciona, mas Bloco Bastardos alegra ruas de Pinheiros

Chuva afugentou foliões, que curtiram a festa nas ruas da capital paulista em número bem menor

Edgar Maciel, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2015 | 17h12

Se no ano passado o Bloco Bastardos conseguiu reunir 10 mil pessoas durante o carnaval, em 2015 o público foi menor, mas com animação de sobra para aproveitar o segundo dia da festa. Com atraso de 1h30, o grupo de 400 pessoas saiu batucando por volta das 16h30 as marchinhas tradicionais dos Bastardos.

"Nasci foi numa farra boa/ Sou liberado, fico com qualquer pessoa/ Não tenho pai, você mamãe eu tô na sua/Eu sou do povo, me criei na rua", que foi a marchinha oficial de 2014, abriu o desfile dos Bastardos.

Com uma típica garoa caindo dos céus de São Paulo, a brincadeira do bloco entrou na tendência de 2015: a crise hídrica. O bloco lembrou que muita gente colocou em São Pedro a culpa pela crise hídrica: "Vai faltar água nesse Carnaval / Como ficarão os passarinhos? / É que são Pedro, segundo seu Geraldo / De São Paulo resolveu se descuidar / A arca de Noé já encalhou / Dentro da Cantareira / Já que a torneira secou / Vou tomar banho de cachaça a noite inteira."

Com um clima familiar, as crianças tiveram espaço na brincadeira. Clara Dias, de 35 anos, trouxe a filha Maria Fernanda, de 4, para brincar no bloco. "Moramos aqui em Pinheiros e estava chovendo bastante até o começo da tarde. Ela ouviu o som do carnaval e já pediu pra colocar a fantasia de princesa ", contou a mãe.

Em um desfile mais compacto em relação aos outros anos, quem não estava muito feliz com a folia eram os ambulantes. Muitos reclamaram que as vendas caíram cerca de 30% em relação ao pré-carnaval. "Estou desde cedo na rua e consegui vender cerca de R$ 2 mil reais neste fim de semana. No último, meu lucro tinha sido de no mínimo R$ 3 mil", reclamou o ambulante Antônio Silva. "O público reduziu bastante e o pessoal está bebendo menos".

Queda de público. A chuva chegou em São Paulo e esfriou o clima dos foliões que planejavam pular carnaval na tarde deste domingo, 15. As ruas do centro e da região oeste de São Paulo, que ontem estavam lotadas por diversos blocos, estavam mais silenciosas. Rua Augusta, Praça Roosevelt e Luz estavam às moscas.

Rafael Correa, de 25 anos, encarou o tempo ruim para aproveitar o carnaval no Parque da Augusta, onde o bloco Ocupa Você Também planejava começar a festa às 14h. Uma hora depois, apenas 15 pessoas estavam no local. "Acho que é a ressaca do carnaval de sábado com a chuva de hoje. Mas confio que o pessoal vai se animar para a noite", disse.

Em comparação ao último fim de semana, o público reduziu consideravelmente. Na Vila Madalena, as ruas estão mais vazias. Houve quem trocasse a festa dos blocos pelos bares fechados. Carolina Machado, de 32 anos, veio de Campinas com um grupo de quatro amigas e se surpreendeu com o clima mais calmo do carnaval paulista. "Eu vim no último fim de semana. Estava mais animado. Acho que muita gente viajou e o tempo não está colaborando", reclamou. "Espero que no fim da tarde melhore."

No fim de semana passado foram 300 mil pessoas. No sábado, 14, o balanco da Prefeitura divulgou que 25 mil foliões foram as ruas. Neste domingo, 15, o número deve ser bem menor. A Prefeitura faz o fechamento no fim do dia, mas o público deve ser menor, pois muitas pessoas viajaram e o mal tempo atrapalha os desfiles.

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