PUC estende proíbição do trote às repúblicas

A reitoria da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo decidiu estender a proibição do trote violento às repúblicas estudantis. A determinação consta de ofícios encaminhados no dia 2 pelo reitor Antonio Carlos Caruso Ronca às chefias acadêmicas dos Centros de Ciências Médicas e Biológicas instalados na Capital e no interior. Os documentos, assinados também pelas vices-reitoras Branca Jurema Pontes, Cristina Helena Pinto de Mello e Raquel Raichelis Degenszajn, alertam para que todos estejam atentos visando prevenir e impedir a ocorrência dessas ações, no espaço do campus ou das repúblicas estudantis. "É nosso dever, como educadores, orientar os estudantes para que não ocorram abusos ou constrangimentos", destacam nos ofícios. Segundo o diretor geral do Centro de Ciências Médicas e Biológicas de Sorocaba, Hudson Hubner França, o entendimento da reitoria é de que o aluno da PUC tem essa condição onde quer que esteja. "Se ele faz algo errado na praia, o ato traz reflexos ao conceito da escola."Segundo ele, já houve precedentes de alunos punidos por atos praticados fora do campus de Sorocaba. O caso mais conhecido foi o dos estudantes Rodrigo Borstein Martinelli e Marcelo Guimarãens Tiezzi, acusados de terem despejado álcool e ateado fogo no colega Rodrigo CaÏas Peccini, durante uma gincana conhecida como Mara-Toma, em 1998. A agressão ocorreu em uma república, mas a PUC expulsou os dois acusados.Em Sorocaba, a direção da escola terá o apoio do Centro Acadêmico Vital Brazil (CAVB) para tentar banir os trotes violentos. A diretoria do CAVB, além de promover o trote educativo - os calouros doam sangue, travesseiros e remédios para hospitais e prestam serviços comunitários - está desestimulando qualquer ação violenta. "Se ocorrer algum caso, vamos levar ao conselho de disciplina", disse a presidente Tamara Passos Jorge. Essa disposição resulta principalmente da pressão feita pelos pais de alunos, que não querem os filhos pegando suspensão por indisciplina, a exemplo do que ocorreu em anos anteriores.Em 1998, a PUC-Sorocaba expulsou dois alunos por trote violento. Outros 14 receberam suspensões por períodos de até seis meses e alguns acabaram perdendo o ano. Nos processos disciplinares constam relatos escabrosos, como o de um aluno que, sem roupa, teve as partes íntimas untadas com catchup para que um cachorro lambesse.

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