PUC vai fotografar usuários

Quem não for aluno terá entrada vetada no câmpus do Rio e estudantes serão punidos

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

09 Julho 2009 | 00h00

Os seguranças da Pontifícia Universidade Católica (PUC) no Rio foram autorizados a fotografar quem estiver fumando maconha no câmpus e não quiser se identificar. A medida foi tomada para evitar que pessoas estranhas entrem na instituição para usar droga e também para impedir que alunos flagrados burlem a fiscalização, dizendo que não estudam ali. A nova prática foi adotada um mês depois de a PUC-SP decidir aumentar a fiscalização em torno dos usuários de maconha. O vice-reitor de Assuntos Comunitários da PUC-Rio, Augusto Sampaio, explicou que a instituição tem um procedimento para casos de alunos flagrados com a droga - eles são encaminhados para a Vice-Reitoria de Assuntos Comunitários e orientados. Em caso de reincidência ou de reação mais agressiva, o estudante passa por uma comissão disciplinar e pode ser punido com suspensão. "O problema é que muitos alunos começaram a dizer que não estudavam na PUC. Temos um câmpus aberto, que funciona das 6 da manhã às 11 da noite. Não podemos permitir que funcione como um ponto de uso de drogas. Se não é aluno, será fotografado e impedido de retornar à universidade. Se for aluno e estiver mentindo, o que descobriremos com a imagem, será punido duplamente", afirmou. Sampaio diz que o uso de maconha na PUC é "episódico". Alunos, no entanto, afirmam que os colegas que fumam a droga frequentam a vila de casas onde funcionam os diretórios acadêmicos (DAs) e o Diretório Central dos Estudante (DCE). O uso de maconha no câmpus causou polêmica na época do lançamento do filme Tropa de Elite, que teve a PUC como locação. Nas cenas finais, o aspirante André Matias, que é aluno da universidade, prende um colega que guarda a droga num armário da instituição. "Nunca tivemos indício de tráfico na PUC. O filme é importante para levantar uma discussão na sociedade", defende Sampaio. SURPRESA A decisão de fotografar as pessoas começou a ser divulgada na semana que antecede as férias - estão marcadas para hoje as últimas provas - e pegou alunos de surpresa. "O DCE ainda não tem opinião formada. Eu acho que pode ser uma invasão de privacidade. Mas a instituição está cansada de ver gente que não é aluna da PUC vir para cá só para fumar. Com os alunos a questão é resolvida academicamente. Com quem é de fora, é outro problema", afirmou Rafael Silva, um dos coordenadores do DCE. "A vila é um fumódromo. Mas os próprios alunos estão mudando. O DA de Desenho Industrial proibiu fumar lá dentro", afirmou uma aluna de Comunicação Visual. Um estudante de Engenharia disse que acha "justa" a decisão de fotografar pessoas de fora da instituição. Mas acha que a medida será pouco eficaz. "Não vai mudar muita coisa. As pessoas ficarão mais discretas."

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