Pugilista cometeu suicídio, diz polícia

Perícia revela inocência de mulher, solta após 18 dias na prisão

Angela Lacerda, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

31 Julho 2009 | 00h00

O ex-campeão de boxe Arturo Gatti, de 37 anos, se suicidou, concluiu perícia da Polícia Civil de Pernambuco, anunciada ontem. Sua mulher, Amanda Carine Barbosa Rodrigues, de 23 anos, até então apontada como principal suspeita, foi libertada à tarde da Colônia Bom Pastor, onde passou 18 dias. Ela foi autuada em flagrante e encaminhada ao presídio no dia 12, um dia depois da morte de Gatti, ocorrida em um flat na Praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, onde o casal passava férias com o filho de 10 meses. Italiano naturalizado canadense, Gatti se enforcou na madrugada do dia 11, no flat, quando Amanda e o filho dormiam no quarto. De acordo com o inquérito policial, ele envolveu a alça de uma mochila no corrimão da escada de madeira - no cruzamento com uma coluna - e uniu os engates da alça, numa altura de 2,32 metros. Usou um banco do bar como suporte para subir, colocou a alça em torno do pescoço e, em seguida, derrubou o banco. Passou cerca de três horas pendurado, até que a alça se rompeu, por causa do peso (em torno de 70 quilos). Amanda percebeu a morte do marido depois das 9 horas. O suicídio aconteceu depois de uma noite tumultuada. O casal e o filho haviam jantado em um restaurante. Depois foram para um bar, onde iniciaram uma discussão. Gatti espancou a mulher em uma calçada da praia. Depois que ele a derrubou, provocando escoriações no seu antebraço esquerdo e no queixo, o vigia de uma pousada tentou interferir. Foi derrubado por um soco e recebeu um murro no peito. Pessoas jogaram pedras e até uma bicicleta no pugilista. Uma das pedras atingiu a cabeça de Gatti - o que explica o corte superficial com sangramento. Eles voltaram para o flat em táxis separados. O inquérito policial, sob responsabilidade do delegado Paulo Alberes, ouviu 17 testemunhas e incluiu quatro visitas dos investigadores ao local do crime. "Mergulhamos de cabeça", disse o delegado. "Não temos nenhuma dúvida de que o pugilista se enforcou", disse Alberes que, ao lado de um promotor, participou da reconstituição. Exames indicaram que no local do enforcamento havia pêlos de Gatti e fibras semelhantes às da mochila. Amanda havia descido do quarto, no primeiro andar, uma primeira vez, por volta das 6 horas, para fazer uma mamadeira. Viu o corpo no chão, mas achou que ele estivesse dormindo, bêbado. Antes de morrer, Gatti tomou sete latas de cervejas. O delegado plantonista Josedite Ferreira autuou Amanda em flagrante. Depois, Alberes pediu a prisão temporária. A juíza de Ipojuca, Ildete Veríssimo, negou o pedido de relaxamento, feito pelo advogado Célio Avelino. Ontem, ela concedeu a soltura. Para Alberes, a polícia não tem do que se desculpar. O chefe da Polícia Civil, Manoel Carneiro, concordou com a atuação dos colegas. "Se não a autuasse em flagrante, solicitaria a prisão temporária", disse ele, ao lembrar que Amanda, que é mineira, mora no Canadá. Para Avelino, houve erro que cabe reparação, mas a decisão cabe a Amanda. Ela, por enquanto, apenas quer rever o filho, que ficou com a irmã Flávia Rodrigues, em Minas. Depois, decidirá se vai entrar com um processo. Em rápida entrevista, ao sair do presídio, ela afirmou que o marido não era um brutamontes. Ela acredita que ele se matou porque sabia que, depois dos atos de violência, ela pediria a separação. Cópias dos exames e do inquérito estão disponíveis para a embaixada canadense.

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