Adauto Rodrigues/Diário da Pará
Adauto Rodrigues/Diário da Pará

PV aprova novo tom e pretende manter críticas a adversários

Com retórica mais agressiva, Marina cresce na classe média, mas agora espera atingir eleitorado popular

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

A candidata do PV, Marina Silva, fez nos últimos dias uma alteração substancial no tom da campanha. Reduziu os elogios aos acertos dos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como vinha fazendo, e engrossou as críticas aos candidatos à sua frente nas pesquisas eleitorais - Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). A senadora fecha a campanha enfatizando, mais do que nunca, que os dois são iguais e que a política nacional não melhora nada com a vitória de qualquer um deles.

O comando da campanha insiste que não houve mudança e que Marina sempre se apresentou como via alternativa e renovadora. Isso é parcialmente verdade. Ela continua dizendo que seu projeto de governo vai além do PSDB e do PT, mas agora faz isso de forma menos pacificadora, mais agressiva.

Quem acompanha os debates públicos entre os candidatos pôde perceber que em nenhum deles a candidata verde foi tão preparada para o confronto quanto no encontro na TV Record, no domingo. Ela tinha à mão uma pasta recheada de informações sobre problemas no governo de Serra e na administração de Dilma na Casa Civil.

Sua tática ficou mais visível porque naquele dia os concorrentes baixaram o tom, evitando confrontos. Serra evitou até falar nos escândalos da violação de dados na Receita e de tráfico de influência na Casa Civil.

Foi Marina quem pôs os temas na roda. E no dia seguinte voltou à carga, atacando Serra, afirmando que desrespeita a imprensa e se torna agressivo com jornalistas quando fazem perguntas das quais não gosta.

O crescimento de Marina nas pesquisas está calcado principalmente no público jovem e setores da classe média com maior nível de ensino. Sua esperança na reta final é atingir parcelas do eleitorado mais popular, que tem sido fiel sobretudo à candidata petista.

Se o tom mais agressivo funcionar e ela crescer, mas não o suficiente para chegar ao segundo turno, poderá se arrepender por não ter mudado antes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.