Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

PV caminha para liberar voto no 2º turno

Executiva do partido está dividida entre os que defendem o engajamento na candidatura de Serra e os que pregam adesão a Dilma

Eugênia Lopes, Marta Salomon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2010 | 00h00

O PV caminha para a independência e não vai apoiar formalmente nem a petista Dilma Rousseff nem o tucano José Serra no segundo turno das eleições. Depois de mais de seis horas de reunião, os integrantes da Executiva do partido sinalizaram a tendência de liberar seus filiados para manifestações pessoais de apoio. No próximo domingo, o partido faz uma plenária para oficializar sua posição.

"As consultas informais sobre que decisão adotar estão em andamento", afirmou ontem a senadora e candidata derrotada à Presidência Marina Silva (PV). "O taxista que me trouxe aqui sugeriu que fôssemos pelo campo da independência. Mas eu estava só de olho no taxímetro", desconversou Marina. Depois de ficar em terceiro lugar no primeiro turno com cerca de 20 milhões de votos, ela virou alvo de disputa entre Dilma e Serra.

A Executiva do PV está dividida: parte defende o engajamento na candidatura de Serra e outra, na de Dilma. Nos três maiores Estados - São Paulo, Rio e Minas - são favoráveis ao candidato tucano. "Há um consenso de que qualquer que seja a decisão, que tudo será feito de uma maneira harmônica, preservadas a identidade e a autonomia da minoria", afirmou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos favoráveis ao apoio a Serra.

Já nos Estados do Norte e Nordeste prevalece o apoio à petista. É caso do deputado Sarney Filho (PV-MA), que já declarou voto na petista.

Participaram da reunião da Executiva ontem 53 integrantes - no total, são 57. Na plenária do dia 17, a previsão é de 156 votantes, entre integrantes da Executiva, conselheiros. A novidade da plenária que será realizada neste domingo é a abertura de 15 vagas para pessoas que não são do PV, mas participaram da campanha de Marina: cinco para delegados do Movimento Pró-Marina, cinco para delegados que contribuíram com o programa de campanha e outros cinco votos de líderes religiosos.

"São líderes de todas as crenças: padres, rabinos pastores. A presença deles é para consolidar o apoio que a Marina teve para além do partido", explicou Alfredo Sirkis, vice-presidente do PV.

Ao comentar a polêmica sobre o aborto, Marina observou que chegou a ser tachada de "conservadora" ao se posicionar contra a prática. Defendeu ainda que o debate sobre o tema seja de mérito e "não com rótulos". "É a primeira vez que vejo temas comportamentais assim tendo uma força tão grande na campanha eleitoral. Eu fui transparente com o eleitor e espero que este tema (aborto) seja tratado de forma responsável", disse.

Para o presidente nacional do PV, José Luiz Penna, o Estado laico está estremecido e há um crescimento da intolerância religiosa no País. "A forma laica de ser do Brasil anda muito estremecida, começa a haver manifestações muito estranhas, inclusive forma de intolerância religiosa", afirmou Penna, ao lembrar que este é um dos principais motivos das guerras que se perpetuam no mundo. O presidente do PV foi imediatamente contestado por Marina. "Não creio que tenha isso no Brasil."

Sustentabilidade. Marina vem sendo cortejada por Dilma e Serra. Ela contou que ontem de manhã teve uma conversa com a petista e que, na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso procurou interlocutores do PV. Marina voltou a afirmar que o eventual apoio do PV a qualquer um dos candidatos será com base numa plataforma programática e não em troca de cargos. "Nós rechaçamos que a discussão seja em termos de cargos", afirmou Marina.

A senadora lamentou ainda que Serra e Dilma tenham abandonado suas propostas de governo no debate da TV Bandeirantes, no domingo. "Lamentavelmente, eu devo dizer, até com uma certa frustração, que não vi referências no primeiro debate à contribuição que a sociedade apresentou de sustentabilidade e de temas que apontamos como prioritários."

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