PV não tem pressa para fusão partidária, diz líder na Câmara

Um grupo de deputados da bancada do PV pressiona para que o partido faça fusão com o PSC com a finalidade de que as duas legendas superem a cláusula de barreira. O PV elegeu 13 deputados e o PSC, 9. O líder da bancada do PV na Câmara, Jovino Cândido (SP), disse que não há pressa para decidir o futuro do partido. "Ninguém está à venda. Nem o partido nem os parlamentares. O que estamos fazendo é um trabalho sério que não tem prazo", afirmou Cândido. Segundo ele, o partido já pensa no crescimento da legenda nas eleições para prefeito em 2008. "O prazo para nós é o de 4 de outubro de 2007", afirmou, referindo-se ao período de filiações partidárias para quem deseja disputar as eleições municipais.Na quarta-feira, o deputado Marcelo Ortiz (PV-SP) anunciou a assinatura de um protocolo de intenções com o PSC, mas, minutos depois, Cândido mandou informar à imprensa que não havia definição, atribuindo a declaração de Ortiz a uma iniciativa regional. Segundo Ortiz, a sigla com a fusão seria PVSC, Partido Verde Social Cristão."A união do PV com o PSC é de interesse dos dois partidos, que têm ideologia próxima", argumentou Ortiz. O presidente do PSC, Vitor Nósseis, defendeu a união das duas legendas também com o argumento ideológico. "É uma questão de manter as nossas identidades, no momento em que reúne as duas ideologias. Um defende a ecologia e o meio ambiente e o outro defende a pessoa humana", justificou Nósseis.Indo e vindoO PSC, primeiramente, manteve entendimentos para fazer fusão com o PTB. Depois, mudou de partido e articulou uma união com o PL e agora anunciou que fará uma convenção nesta quinta-feira próxima para afastar uma proibição que existe no estatuto para a realização de fusão partidária, primeira etapa para a união com o PV. Nósseis informou que a convenção do PSC será na sede do PL. No mesmo horário, o PL estará também fazendo convenção para formalizar a fusão com o Prona e o PT do B em busca de superar a cláusula de barreira e continuar tendo direito a uma fatia maior do fundo partidário e tempo gratuito na TV.A hipótese de fusão com o PSC tem sido defendida por parlamentares de Minas Gerais e de São Paulo, que elegeram mais deputados. Na quarta-feira, ao anunciar assinatura de protocolo de intenções com o PSC, Ortiz disse que a maioria da bancada, com sete deputados, concorda com a fusão. Ele citou o apoio dos deputados Vittorio Medioli (MG) e Sarney Filho (MS), e provavelmente a do deputado Edson Duarte (BA).Outras saídasO PV trabalha com outras duas hipóteses. A legenda também mantém conversa com o PPS, partido com o qual já vem atuando em parceria na Câmara em diversas votações. Há também no PV a defesa para manter o partido independente e com as limitações impostas pela cláusula de barreira, mas investindo em mudanças no regimento interno da Câmara para prosseguir com direito a ter espaços na Casa.As fusões entre partidos para atingir a cláusula de barreira não deverão enfrentar obstáculos da Justiça Eleitoral. Recentemente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, afirmou que é viável a fusão das legendas para garantir o funcionamento parlamentar. Segundo ele, a lei dos partidos políticos permite essa incorporação. Com as fusões, alguns partidos conseguirão assegurar o funcionamento parlamentar. De acordo com a regra da cláusula de barreira, os partidos têm de conseguir 5% dos votos no País e pelo menos 2% em 9 Estados para não perderem direitos, como o de participar de comissões e CPIs e ter gabinete de liderança.

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