PV só vai definir no dia 17 posição no 2º turno

Partido vai sugerir propostas para os dois candidatos e dará liberdade às minorias para adotar postura diferente

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2010 | 00h00

O PV marcou para o dia 17, em São Paulo, uma convenção em que definirá sua posição no segundo turno da eleição presidencial. Participarão 90 pessoas, entre as quais 5 representantes do Movimento Marina Silva, 5 colaboradores do plano de governo e 5 delegados religiosos - integrantes de entidades cristãs.

O grupo incluirá ainda candidatos da legenda que disputaram os pleitos estaduais, a Executiva nacional e a coordenação da campanha da senadora Marina Silva (PV-AC), além de deputados eleitos da agremiação.     

 

 

 

 

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O presidente do diretório paulista do partido, Maurício Brusadin, garantiu que a posição da minoria será respeitada e cada militante poderá ter um ponto de vista contrário ao que for definido. "Isso vale também para Marina", esclareceu.

Um grupo de 21 participantes da campanha reúne-se hoje para definir os dez itens da plataforma a ser apresentada aos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). "Vamos ver o quanto eles se comprometem com essas causas. Mas também não vamos lidar com isso com a faca na garganta (dos candidatos)", avisou Brusadin. A negociação será baseada no programa que lhes será apresentado e a discussão de cargos está fora de cogitação. "Não nos interessa ocupar cargo", acrescentou.

Ele admite que há divergências quanto aos rumos. "A campanha de Marina é uma diversidade. É difícil dizer que ela tenha uma tendência porque há uma variedade de cores: há os verdes-verdes (os que pregam a neutralidade), os verdes-vermelhos e os verdes-azuis."

Os entendimentos, advertiu, não podem seguir o tom de acordos com PSDB ou PT feitos no passado. "Hoje o PV é outro partido. São 20 milhões de votos". A posição prévia de Fernando Gabeira, no Rio, é um caso à parte, comentou, "pois sua candidatura ao governo fluminense foi viabilizada com apoio do PSDB".

"Pesquisa atrapalhou". A senadora Marina Silva afirmou, em entrevista à Rádio Jovem Pan, que os institutos de pesquisa podem ter prejudicado sua possível passagem ao segundo turno.

"As urnas teriam, talvez, revelado muito mais se as pesquisas alcançassem o que estava nas ruas. Muita gente se referenciava pelas pesquisas", lamentou.

A senadora revelou ter recebido "mensagens de arrependimento" de eleitores que, baseados nos levantamentos, adotaram o voto útil.

O eleitorado do partido, no entender de Marina, apresentou-se diversificado. "Não posso dizer que vamos ter uma posição única", adiantou na entrevista, que durou uma hora.

Sobre a polêmica do aborto, ou ainda quanto à legalização da maconha, a senadora evitou comentar as investidas de Serra e Dilma sobre o eleitorado evangélico, entendendo que "seria presunçoso" julgá-los. "Os fiéis sabem o que é um discurso de crença e o que é um discurso de conveniência", declarou.

Ela pediu ainda, na entrevista, que o PV "não se apequene no discurso da conveniência" e reafirmou que nem PT nem PSDB foram capazes de compreender os desafios da sustentabilidade. "Os candidatos dos dois partidos a presidente são gerentes e não estrategistas", concluiu ela.

Agradecimento. Ao agradecer os 20 milhões de votos, a senadora avaliou que o resultado da primeira disputa mostrou que os eleitores querem compromissos do próximo presidente, a começar pela questão ambiental, e que estão cansados da repetição da "mesma política".

"A sociedade deu uma lição de que quer uma oposição madura", afirmou ainda.

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