Qantas mantém A380 parados enquanto investiga vazamento de óleo

A companhia aérea australiana Qantas Airways deixará de utilizar sua frota do Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, por pelo menos mais três dias, enquanto investiga vazamentos de óleo que podem ter causado uma explosão em uma turbina durante um voo de Cingapura a Sydney, na semana passada.

MICHAEL SMITH E BALAZS KORANYI, REUTERS

08 Novembro 2010 | 12h12

O incidente sacudiu a indústria mundial da aviação, que ainda se recupera de grandes prejuízos durante a crise econômica. O problema também prejudicou a imagem da Rolls-Royce, que fabrica a turbina Trent 900, que se rompeu durante o voo e causou o pouso de emergência em Cingapura.

"A não utilização dos aviões estende o período de incertezas e certamente não é boa para as ações da Rolls, que perderam 1,2 bilhão de libras em valor desde o problema inicial", afirmou Jason Adams, analista da Nomura.

"O mercado quer uma resolução para o assunto dos motores Trent 900 dos aviões da Qantas e transparência em sua restrição. Em seguida, pode ser que um órgão regulatório, como a FAA, por exemplo, mande suspender todos os voos do A380 com as turbinas da Rolls até que isto esteja corrigido."

A Qantas afirmou que seus seis Airbus A380 ficarão em solo por pelo menos mais 72 horas após uma investigação ter descoberto vazamentos de óleo em três turbinas da Rolls-Royce que foram removidas dos aviões.

"Estamos trabalhando com a Rolls-Royce para assegurar que tenhamos um conserto apropriado neste caso. Nossa equipe, a Airbus e a Rolls-Royce estão trabalhando contra o relógio para assegurar isso. Não estamos analisando nenhuma outra alternativa", afirmou o executivo-chefe da Qantas, Alan Joyce.

A reputação da Qantas como uma das companhias aéreas mais seguras do mundo está em jogo, enquanto investidores da Rolls e da Qantas analisam o custo financeiro de deixar de utilizar as aeronaves e indenizar os passageiros.

"Acima de tudo, a Rolls estará em uma situação ruim por algumas perdas operacionais da Qantas e da Singapore, que suspenderam os voos, além dos custos adicionais do retrabalho que pode ter de ser feito em algumas turbinas Trent 900", afirmou Adams.

A Singapore Airlines disse nesta segunda-feira que completou as inspeções de turbinas em todos os seus aviões A380 e não encontrou motivos para se preocupar. A alemã Lufthansa também conduziu testes em sua frota do maior avião de passageiros do mundo.

O problema de quinta-feira foi o terceiro em que um A380 com motores Rolls-Royce apresentou falhas durante o voo.

Em agosto, uma aeronave da Lufthansa, que seguia de Frankfurt para Tóquio, desligou uma de suas quarto turbinas pouco depois de pousar, por causa de uma mudança na pressão do óleo, e um outro avião, da Singapore Airlines, voltou para Paris em setembro devido a um problema no motor.

Um segundo voo da Qantas que saía de Cingapura foi forçado a fazer um pouso de emergência depois de outro problema na sexta-feira, desta vez com uma turbina Rolls-Royce que equipava um Boeing 747-400.

A falha de quinta-feira, ocorrida nos céus da Ilha Batam, na Indonésia, foi o maior incidente até agora envolvendo um A380, que começou a operar em 2007 e pode levar mais de 500 pessoas a bordo.

(Reportagem adicional de Rhys Jones e Michael Perry em Sydney e Sonali Paul em Melbourne)

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