Quadrilha aplica golpe na loteria

No Rio, bando comprou loja, fez 652 apostas, não repassou valores à Caixa e recebeu prêmios; PF prendeu sete

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2029 | 00h00

A Polícia Federal prendeu ontem, no Rio, sete pessoas acusadas de dar um golpe que causou prejuízo de quase R$ 5 milhões à Caixa Econômica Federal. A quadrilha comprou a casa lotérica Toque de Midas, na Tijuca, zona norte, e emitiu bilhetes da Mega Sena sem repassar os valores das apostas para a Caixa. Os cartões impressos tiveram acertos de quadras. O bando conseguiu sacar R$ 95 mil, mas foi descoberto antes de receber outros prêmios. Outros dois acusados estão foragidos.Em junho, a quadrilha comprou a lotérica, que funcionou por apenas quatro dias. No dia 15 daquele mês, uma sexta-feira, eles dispensaram os funcionários e não abriram mais as portas. No fim de semana, emitiram 652 bilhetes de 15 dezenas, ao custo unitário de R$ 7,5 mil - rombo de R$ 4,9 milhões. Como o concurso de sábado não estava acumulado - pagaria R$ 1,5 milhão -, a grande movimentação chamou a atenção da Caixa. Além disso, a loja não costumava funcionar aos domingos e dificilmente tinha apostas de R$ 7,5 mil. Na segunda-feira, quando os quase R$ 5 milhões não foram repassados à Caixa, o banco avisou a Polícia Federal.Das 652 apostas, 19 estavam premiados com 55 quadras. Se fossem apostas válidas, o bando teria ao menos R$ 220 mil a receber. Mesmo assim, conseguiu sacar cerca de R$ 95 mil de oito bilhetes porque a Caixa ainda não tinha provas do golpe.Segundo o titular da Delegacia da Fazendária da PF, Lourenzo da Hora, o chefe da quadrilha é o advogado José Roberto de Freitas, preso à tarde no Barra Shopping, na zona oeste do Rio. Freitas disse que só falaria em juízo. ''''Há imagens dele recebendo o dinheiro do prêmio numa agência'''', disse Hora. O advogado, junto com outras oito pessoas, foi indiciado por apropriação indébita, estelionato e formação de quadrilha.A Caixa assumirá o prejuízo. Segundo o banco, as 652 apostas foram em máquinas cadastradas e no horário permitido. Por isso, o valor foi computado na premiação final, assim como o repasse a ministérios e entidades sociais beneficiárias da Mega Sena. ''''O golpe foi contra a Caixa, não contra o jogo, que não pode ser fraudado'''', disse Luiz Carlos Peralta, presidente do Sindicato dos Comissários e Consignatários do Estado de São Paulo (Sincoesp), que representa as lotéricas em São Paulo.A fiscalização dos jogos exige o registro do CPF de todo ganhador com premiação acima de R$ 800. Se um mesmo CPF vencer dois jogos, a Caixa informa o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).Hoje será realizado o sorteio da Mega Sena, acumulada em cerca de R$ 45 milhões.COLABOROU RODRIGO PEREIRA

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