Divulgação/BBC Brasil
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Quadrilha brasileira controlava prostitutas com câmeras em Madri

Polícia diz que esquema seria inédito na Espanha; brasileiras devem ser deportadas

Anelise Infante, BBC

14 de fevereiro de 2011 | 14h51

MADRI - A polícia espanhola desmantelou na capital do país uma quadrilha brasileira de prostituição que controlava o trabalho das mulheres com câmeras de vídeo durante 24 horas.

Segundo os investigadores, a quadrilha operava em cinco apartamentos em Madri, quatro onde trabalhavam 17 prostitutas e um onde estava a base de operações do grupo. Da quadrilha, incluindo as garotas de programa, faziam parte 38 brasileiros, todos presos na noite de domingo.

Os criminosos usava 12 computadores, 88 celulares e 28 câmeras de vídeo. A polícia espanhola afirma que esta seria a primeira vez que uma quadrilha que explora a prostituição no país usa um esquema tão sofisticado.

Controlados pelos supostos chefes, tanto prostitutas como clientes eram vigiados por câmeras de vídeo espalhadas por todas as dependências dos apartamentos onde atuavam.

Denúncia. Os membros da quadrilha usavam três quadros negros para anotar a agenda diária das prostitutas com nomes, horários e encontros com clientes e fiscalizavam o trabalho com a rede de câmeras.

O negócio funcionava 24 horas ao dia, empregando três telefonistas que se revesavam em turnos para atender as ligações de clientes, que chegavam à quadrilha por meio de anúncios na imprensa espanhola e na internet.

A polícia descobriu o grupo depois da denúncia de uma brasileira que trabalhou para a quadrilha. Segundo esta suposta confissão, as mulheres aliciadas no Brasil sabiam que atuariam em Madri como prostitutas, mas não que seriam vigiadas permanentemente.

As jovens entre 18 e 25 anos, de várias regiões do Brasil, moravam na Espanha em grupos de seis em cada quarto, dormindo em beliches ou no chão.

Dos 38 detidos, 11 estão acusados de delitos contra a saúde pública, exploração de seres humanos, contra os direitos de trabalhadores estrangeiros e formação de quadrilha. As prostitutas são acusadas de estadia e trabalho irregular na Espanha e devem ser deportadas.

 

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