Quadrilha dá golpe de R$ 200 milhões com bilhetes aéreos

O casamento estava marcado. O noivo, o indiano Sarabjeet Singh Bedi, de 30 anos, morador do Vale do Paraíba, interior de São Paulo, pretendia levar 11 amigos brasileiros para acompanhar a cerimônia na Índia. Ele e os amigos, porém, não embarcaram. Da agência da British Airways, na Alameda Santos, nos Jardins, onde fora marcar a passagem, Bedi seguiu para a cadeia. Os bilhetes eram furtados da Maringá Turismo e custavam US$ 6.500,00 cada. Bedi pagara US$ 2 mil. O indiano indicou o lugar onde comprara os bilhetes: um escritório no qual funcionaria um escritório de advogados e uma agência de viagens, na Rua Batatais, no Jardim Paulista. Lá, a polícia prendeu Wlamir Rizzo de Oliveira, que vendera as passagens. Por meio dele, os policiais da Divisão Policial de Aeroportos e Proteção ao Turista (DPAPT), da Polícia Civil, esperam identificar a quadrilha que vem agindo há algum tempo e já teria aplicado golpe de R$ 200 milhões, furtando e adulterando bilhetes internacionais. O delegado Naief Saad Neto, titular da DPAPT, disse que as investigações estão no caminho certo. "Esperamos prender a quadrilha em pouco tempo e identificar uma outra, que falsifica bilhetes da Varig." Saad Neto se reuniu no mês passado com os responsáveis pelas agências de viagens pedindo colaboração, pois com informações sobre furtos e desvios de bilhetes em branco será possível identificar os receptadores e os envolvidos na venda. Ele afirmou que a movimentação da emissão de bilhetes aéreos nacionais e internacionais é grande e as apurações encontram dificuldades porque não há um setor que centralize a expedição das passagens. SuspeitaA descoberta da fraude envolvendo o indiano e o brasileiro contra a British e a Maringá Turismo foi feita há duas semanas. Bedi apresentou os bilhetes na British e a funcionária suspeitou de algo errado, por causa do preço e do preenchimento do bilhete à mão. Ela telefonou para a Maringá e os funcionários confirmaram o furto de um lote de cerca de 300 passagens e pediram para chamar a polícia. A delegada Ana Paula Monteiro Pinto, da DPAPT, foi para a agência da empresa aérea inglesa e prendeu Bedi, que foi autuado em flagrante por crime de receptação. Ele alegou não saber que os bilhetes eram furtados. Disse que viaja sempre em classe econômica para a Índia e acreditava ser cortesia da empresa aérea a passagem na classe executiva pelo preço da econômica. "Estava pagando US$ 2 mil por um bilhete que custa US$ 6.500,00 e diz que não sabia?", comentou Ana Paula. Ela também autuou Oliveira por receptação. Ao ser interrogado, Oliveira alegou ter recebido os bilhetes de um homem que conheceu há pouco tempo, cujo nome desconhece. O escritório usado por ele na Rua Batatais também será investigado. Motoboy Para entregar os bilhetes furtados e adulterados, Oliveira usava o serviço de motoboy. "Estamos também apurando as atividades de uma empresa chamada Oroviaggi para saber se está envolvida com Oliveira na venda dos bilhetes", declarou Ana. Depois da prisão de Bedi e Oliveira, a Maringá Turismo apresentou queixa do furto dos bilhetes na Delegacia de Atendimento ao Turista. A delegada informou estar investigando outro golpe com bilhetes furtados, que seria aplicado contra duas mulheres que organizavam uma viagem a Roma para 120 pessoas. Elas suspeitaram do preço da passagem e souberam depois que muitos dos bilhetes eram furtados e constavam na relação do lote levado da Maringá Turismo. Indicaram a empresa SSTur como vendedora e a funcionária que se identificou como Cláudia como a intermediária da venda.

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