Quadrilha de Andinho realizou 19 seqüestros em 2001

Dezenove dos 32 seqüestros registrados no ano passado na região de Campinas (SP) foram realizados pela quadrilha de Wanderson Nilton de Paula, o Andinho, mas os números ainda podem aumentar na próxima semana, informou hoje o diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) da Polícia Civil de São Paulo, delegado Godofredo Bittencourt Filho.Bittencourt disse que, nas 19 ações de seqüestro da quadrilha, 25 pessoas foram levadas para o cativeiro, entra elas 12 mulheres e 3 crianças. Além de participação direta e indireta nestas 19 ações, Andinho já teria confessado, segundo o delegado, assaltos em seis residências em bairros de classe média alta nas cidades de Campinas e Valinhos.O seqüestro com desfecho mais violento foi o da cigana Rosana Melotti, assassinada a tiros em frente à porta de sua casa, em janeiro. Bittencourt confirmou as versões de que Rosana foi morta porque as negociações do resgate, feitas diretamente com o marido dela, haviam chegado a um impasse. "A quadrilha fez isso para mostrar que não estava de brincadeira", disse o delegado.No mesmo cativeiro em que se encontrava Rosana, permaneciam confinadas a empresária Luzia Aparecida Vilani e Júlia Cavalcante, libertadas em dias depois, com o pagamento do resgate. Bittencourt disse que Andinho admitiu ter participado do seqüestro da cigana, mas atribuiu a outro integrante do bando, Anderson Manzini, que está foragido.A estrutura da quadrilha, que era composta por oito líderes - quatro dos quais ainda foragidos -, foi desvendada pelo delegado da Delegacia de Roubos do Deic, Eduardo Dutra de Carvalho. "Acumulamos muitas provas e depoimentos de testemunhas, de modo que Andinho não teve saída e acabou confessando seu envolvimentos nestes 25 casos", disse Carvalho. "Mas é possível que novos casos apareçam, assim que as investigações prosseguirem."Além dos líderes, Carvalho estima que outras oito ou dez pessoas participaram dos 19 seqüestros. "Eram bandidos sem envolvimento direto com a quadrilha, contratados para cuidar do cativeiro e realizar pequenas tarefas", afirmou ele.Os delegados do Deic se recusaram a comentar as investigações da participação de Andinho no assassinato do prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT. "O caso está sendo investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e corre em segredo de Justiça. Não nos cabe falar dele", afirmou Bittencourt. Mas Carvalho deixou escapar, quando foi perguntado sobre o caso durante a entrevista coletiva realizada hoje, que Andinho negou participação no assassinato.Bittencourt, enquanto tentava traçar o que chamou de "perfil psicológico" de Andinho, disse que o seqüestrador se comportava de maneira contraditória com suas vítimas no cativeiro. Era capaz de gestos delicados, como comprar um videogame e dezenas de jogos para um dos meninos seqüestrados, ou de gestos violentos como colocar a arma na testa e proferir ameaças e impropérios contra outro."Ele usava drogas e perdia o emocional", repetiu várias vezes o delegado. "É uma pessoa má e capaz de gestos muito violentos."

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