Quadrilha exigiu resgate de US$ 10 milhões

As negociações para o pagamento do resgate de Washington Olivetto começaram quase uma semana depois do seqüestro. A quadrilha pediu US$ 10 milhões. As pessoas que começaram intermediando o pagamento ? um jornalista e um publicitário ? explicaram ao seqüestrador que Olivetto não tinha esse dinheiro.Eles explicaram que, apesar de a W/Brasil ser uma das principais agências publicitárias do País, Olivetto não teria como arranjar tanto dinheiro. ?Ele tem seguro fora do País?, teria repetido o seqüestrador que telefonou para a casa de um dos amigos do publicitário. E avisou. ?É bom começarem a se mexer.?A polícia, que acompanhou a família durante as negociações preliminares, foi deixada de lado na segunda semana, por exigência dos criminosos e da família. Um funcionário da empresa Control Risks ? especializada em gerenciamento de crises, contratada pelo Lloyds Bank, onde Olivetto tem apólice de seguro de vida e contra seqüestro ? começou a negociar o pagamento.A expectativa dos Olivetto era de que o publicitário pudesse ser libertado até o Natal. Mas os criminosos estavam irredutíveis quanto ao valor do resgate. ?Queremos os dez milhões e voltaremos a manter contato.?Desespero ? A falta de informações da quadrilha por alguns dias deixou a mulher e os parentes do publicitário desesperados. Mas não havia como concordar com a exigência dos seqüestradores por causa do valor, considerado ?irreal.? No réveillon, os seqüestradores não fizeram contato. Os encarregados das negociações acreditavam que poderiam reativar o contato no início de janeiro e o desfecho pudesse ser rápido.Todas as vezes que falavam com os seqüestradores, os negociadores exigiam provas de vida. Informavam que só prosseguiriam se soubessem que Olivetto estava vivo.A quadrilha mandou cartas com detalhes da vida de Olivetto que somente ele e os parentes sabiam. As negociações avançaram um pouco na segunda semana de janeiro. Os seqüestradores mandaram fitas gravadas com a leitura de manchetes dos jornais do dia e fotos de Olivetto tiradas com Polaroyd.Na semana passada, as partes estavam discutindo um novo valor. Os seqüestradores mandaram a família de Olivetto publicar anúncios num jornal do Rio e em outro de São Paulo dizendo que concordavam com o valor estipulado. O publicitário foi libertado no dia da publicação do anúncio.Colegas ? A liberação de Olivetto deixou aliviados os publicitários de São Paulo. A Associação Brasileira de Propaganda (Abap) manterá o compromisso anunciado na sexta-feira de realizar a campanha de divulgação do serviço Disque-Denúncia. A iniciativa partiu de Roberto Duailibi, da agência DPZ, onde Olivetto se projetou, e do presidente da Abap, Sérgio Amado. Para Amado, divulgar o Disque-Denúncia é um serviço de utilidade pública, para reduzir a violência no Estado. A partir de amanhã, 500 dos 3 mil outdoors da capital.

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