Quadrilha ia chamar parteira

Plano era manter até bebê refém para obter resgate

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

Os seqüestradores planejavam fazer Fabiana Teles Azevedo, de 21 anos, dar à luz no cativeiro. Para tanto, pensavam em levar uma parteira até a casa em Pirituba onde mantinham a vítima. O bando não admitia soltar a jovem grávida de 8 meses nem se ela começasse a passar mal. Os criminosos disseram à Fabiana que ela e o bebê ficariam no cativeiro enquanto sua família não pagasse o resgate.Sempre encapuzados, os seqüestradores obrigavam a vítima a pôr um óculos com as lentes escurecidas toda vez que entravam no quarto onde ela estava. No cativeiro, Fabiana também ouviu que o alvo do seqüestro era seu marido, Ricardo Pereira Dantas, de 21 anos - o casal tem uma loja num shopping popular no Brás.Em seu depoimento, o seqüestrador Paulo Porfírio dos Santos, de 21 anos, disse que, na verdade, os seqüestradores planejavam levar Fabiana. Só não sabiam que ela estava grávida. Ele contou que integrantes do grupo foram à loja do casal antes do seqüestro para ver quem era a vítima. Mas Fabiana estava sentada e não teria sido possível perceber a gravidez.Santos foi o único seqüestrador que confessou o crime - os demais se negaram a depor. Ele disse que, ao ver no cativeiro que a vítima estava grávida, teve vontade de libertá-la. Mas não é isso que ficou registrado nos telefonemas do bando para a família - os bandidos ameaçavam matá-la, mesmo grávida, caso não recebessem o resgate. A Divisão Anti-Seqüestro (DAS) gravou quase dez horas de conversas.Depois de solta pela polícia, Fabiana passou por exames no Hospital Metropolitano, na Vila Romana, zona oeste, antes de ir para casa. Sua médica receitou um sedativo, pois a comerciante estava muito nervosa. Ela passou o dia descansando em casa.O seqüestro de uma grávida é fato raríssimo. Integrantes da DAS afirmaram que, desde 1991, Fabiana foi a primeira gestante que uma quadrilha manteve em cativeiro. Em 2005, houve outro seqüestro de uma grávida, que estava no início da gestação. Os bandidos decidiram libertá-la. Atualmente, há dois seqüestros de homens em andamento no Estado.

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