Quadrilha presa com armas em suposto cativeiro

Depois de passar quase oito horas de campana, próximos a uma chácara na Estrada do Pinhalzinho, área rural de Limeira, na região da Campinas, oito soldados da Polícia Militar detiveram cinco homens, dois deles foragidos, e apreenderam armas pesadas. Há suspeitas de que o lugar pudesse ser usado como cativeiro e que houvesse ligação dos presos com membros da quadrilha de Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho. A polícia chegou ao local, por meio de uma denúncia anônima, por volta das 17h10 de ontem. Havia três carros na chácara: um Gol, um Astra e um Escort, mas nenhuma pessoa. Depois de verificar as placas, a PM descobriu que o Escort havia sido roubado em Paulínia, e que o Astra utilizava placas clonadas de outro veículo, em situação regular. Os policiais decidiram montar campana nos arredores para aguardar os ocupantes do imóvel. Por volta da 1 hora de hoje, chegaram ao local Edson Pin e Jorge Luiz Bernardo dos Santos, foragido do Centro de Detenção Provisória de Osasco, onde cumpria pena de 80 anos por roubo e latrocínio. Dentro da chácara, a polícia encontrou duas espingardas calibre 38, uma calibre 12, três pistolas 765, uma nove milímetros, um revólver calibre 38, três rádios de comunicação, um deles na freqüência da PM, além de quatro celulares e quatro capuzes. Segundo a polícia, foram encontrados ainda uma lista contendo nomes, informações sobre as pessoas citadas e fotografias. Os policiais não descartam que a lista contivesse nomes de futuras vítimas, de roubo ou de seqüestro. No meio do flagrante, por volta das 5 horas, quando já havia uma concentração de policiais e repórteres no local, se aproximaram da casa outros três homens, que também foram detidos pela polícia. Mauro Ramalho de Araújo, foragido da Colônia Penal de São José do Rio Preto, condenado por roubo e furto, Alexandre Pereira da Rocha e Evandro Luiz da Costa confessaram que participavam do grupo. "Os policiais conseguiram identificá-los no meio das pessoas, pelo comportamento", contou o tenente-comandante da PM de Limeira, Marcelo Luiz Ament Caron. Os cinco homens ficaram detidos em Limeira sob acusação de roubo, porte ilegal de armas e formação de quadrilha. Segundo o tenente Caron, há indícios de que a quadrilha tenha participado de um roubo recente a carro-forte em São José do Rio Preto. Ele disse que a PM suspeitou que a chácara pudesse ser usada para seqüestros porque é cercada por um muro de cinco metros de altura, com algumas escadas estrategicamente colocadas como "pontos de observação". A lista de nomes também reforçou a suspeita. O tenente Caron contou que a PM vem promovendo varreduras nas chácaras de Limeira para localizar imóveis usados irregularmente. Segundo ele, o armamento encontrado no local, apesar de não ser exclusivo das Forças Armadas, é potente o suficiente para ser usado em assaltos a carro-forte, a banco e seqüestro. O oficial comentou que o fato de as quadrilhas invadirem o sistema de comunicação da polícia dificulta as operações. Mas ele revelou que a PM tem lançado mão de outros artifícios, como códigos e celulares, em ocorrências de vulto, principalmente nas que envolvem quadrilhas especializadas. "No caso de ontem, os policiais se comunicaram por celular", disse. A localização de Limeira, conforme o tenente Caron, de fácil acesso para as rodovias Anhangüera, Bandeirantes e Washington Luiz, acaba atraindo criminosos que atuam nas cidades de região. "É um corredor de acesso a qualquer lugar do Estado", disse. O delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Limeira, Antônio Luiz Tucumantel, onde foi registrada a ocorrência, afirmou que ainda é precipitado ligar os detidos a Andinho. Segundo ele, a ficha dos detidos foi encaminhada à Delegacia Anti-Seqüestro (Deas) de Campinas. "Pelos nomes, ainda não foi descoberta nenhuma relação entre os presos e Andinho", disse. De acordo com o delegado, a chácara onde ocorreu o flagrante já havia sido usado por ladrões de carga. Ele disse que a polícia civil está orientando as imobiliárias a averiguar adequadamente os locadores de propriedades na região, com ênfase aos que querem alugar por curtos períodos. "Pedimos sempre que nos mantenham informados", comentou.

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