Quadrilha que cavava túnel no RS se formou em SP

O delegado Ildo Gasparetto, chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, acredita que a quadrilha que iria roubar o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e a Caixa Econômica Federal (CEF) a partir de um túnel se organizou dentro das penitenciárias de São Paulo. "É conhecimento feito na cadeia", disse nesta terça-feira,5, ao avaliar a formação do grupo."Quase todos eles são ex-presidiários". A origem da maioria dos 26 participantes da operação da escavação, interrompida sexta-feira, 1º, pela Polícia Federal (PF) reforça a tese de Gasparetto. Segundo o delegado, 23 dos presos declararam que viviam em municípios do Estado de São Paulo, dois disseram que moravam em Minas Gerais e apenas a única mulher do grupo se disse gaúcha.No entanto, o policial admitiu que está difícil obter informações dos presos que levem à descoberta das conexões que a quadrilha tem. "Eles alegam o direito de só falar em juízo", relatou. Gasparetto também está convicto de que os presos estão mentindo. "A maioria deles diz que estava só limpando o prédio". Apesar das negativas, três dos presos já confessaram que participaram do roubo ao Banco Central de Fortaleza, em agosto do ano passado. Dois peritos que analisaram o túnel aberto na capital cearense chegaram nesta terça-feira, 5, a Porto Alegre para reforçar a análise dos técnicos da Polícia Federal e estabelecer se há semelhança nos métodos empregados nos dois casos. Além do trabalho dos peritos no túnel que já havia percorrido 90 metros sob a rua Caldas Júnior, no centro de Porto Alegre, do prédio comprado pelo grupo em direção à matriz do Banrisul, a Polícia Federal trabalha na investigação de possíveis apoios à quadrilha existentes no Rio Grande do Sul. Pessoas ligadas à área de segurança do Banrisul e da Caixa serão consultadas nos próximos dias. Os 25 homens presos estão na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas e a mulher está no Presídio Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre. A transferência deles para Fortaleza ou Catanduvas depende de autorização da Justiça Federal do Ceará. Ao contrário da previsão inicial, de que o deslocamento seria feito no início desta semana, a Polícia Federal não lida mais com datas. "Isso será resultado de muita conversa, porque inclui necessidades da investigação policial e decisões da Justiça no Ceará, no Paraná, em São Paulo e no Rio Grande do Sul", despistou Gasparetto.

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