Quadrilha que jogou casal foi espancada em favela

Traficantes da Favela da Rocinha, na zona sul do Rio, espancaram e expulsaram os quatro assaltantes que roubaram e jogaram da encosta da Avenida Niemeyer o empresário Marcelo Viana, de 43 anos, e namorada dele, a publicitária Paula Barreto, de 31, na madrugada de quarta-feira. Os bandidos foram entregues à polícia pelos próprios traficantes, que queriam evitar uma busca aos assaltantes.Alexandre Oliveira, de 19 anos, foi punido com um tiro na mão direita e o português Antonio Manuel Ribeiro, de 33, com um tiro na perna esquerda. Thiago Apolinário dos Santos, o TH, e Wilson da Silva, o Beiçola, também foram surrados no alto da favela. Todos têm passagens por roubo e furto. Policiais acreditam que a surra foi motivada porque os bandidos "assinaram" o crime ao abandonar o Audi do empresário na favela. Segundo os agentes, eles só não foram mortos para evitar uma operação policial de resgate dos corpos. "Os traficantes souberam pela imprensa que haveria uma grande operação policial na Rocinha para localizar os quatro e decidiram entregá-los para evitar", disse a delegada adjunta da 14ª Delegacia do Leblon, Leila Goulart. Uma ligação anônima ao Disque-Denúncia, pouco antes das 19 horas, avisou que o bando estava sendo torturado. Meia hora depois, três deles foram encontrados na Estrada da Gávea por policiais com pertences da vítima. Alexandre conseguiu pegar uma van e foi preso no Hospital Miguel Couto, na Gávea.A delegada diz que investigará o espancamento, mas que os próprios assaltantes negam que os traficantes tenham sido os autores. "Eles atuavam havia cerca de três meses na zona sul e na Barra da Tijuca (zona oeste), mas não com tráfico." Os quatro foram indiciados por tentativa de latrocínio, e podem pegar até 25 anos de prisão."Não fiquem colocando que foi vagabundo que espancou a gente. Vai nos prejudicar. Apanhamos da comunidade", disse Beiçola à imprensa. TH chegou a afirmar que tinha sido espancado pela família, mas deu a versão de Beiçola. A dupla foi apontada nos depoimentos dos comparsas como responsável por empurrar o casal.

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