Guilherme Ferreira/Reuters
Guilherme Ferreira/Reuters

Quadrilha roubou R$ 80 mi de banco em Criciúma; polícia investiga se apartamento próximo foi usado

Investigadores divulgaram nesta quarta-feira que, até agora, 14 pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento com o crime. Bando pode ter monitorado agência a partir de imóvel localizado nas imediações

Amanda Garcia Ludwig, especial para o Estadão

09 de dezembro de 2020 | 18h50

CRICIÚMA - Passados oito dias do assalto ao Banco do Brasil de Criciúma, em Santa Catarina, as forças de segurança do Estado se reuniram para passar, de forma oficial, as informações atualizadas sobre o caso. Até o momento, 14 pessoas foram presas por envolvimento no crime. O delegado da Diretoria Estadual de Investigação Criminal (Deic), Anselmo Cruz, confirmou que apesar de ainda não ter acontecido a formalização em depoimento do valor roubado, a quantia contabilizada pelo banco é da ordem de R$ 80 milhões.

De acordo com o delegado, a polícia investiga agora a possível existência de um apartamento ocupado pelos criminosos nas imediações da agência bancária. “É possível e provável que eles tenham utilizado o imóvel para monitorar a região nos meses anteriores ao crime”, afirma.

A partir disso, a força-tarefa pede que moradores que tenham percebido uma movimentação estranha nos últimos meses avise a polícia. “Principalmente vizinhos que tenham chegado há pouco tempo e tenham sumido misteriosamente na última semana. Não precisam ter medo de dar informações. Nosso trabalho é verificar se há relação ou não entre as coisas”, ressalta Cruz.

Além disso, a equipe tem realizado buscas e apreensões em todo o Brasil desde a última semana. “Ainda hoje fizemos buscas no Ceará. Estas são peças a serem investigadas, com o apoio da população”, indica o delegado. 

'Um quebra-cabeças de 5 mil peças'

Para facilitar o entendimento de como a operação de investigação se dá desde o dia seguinte ao crime, o delegado Anselmo Cruz utilizou uma metáfora. Ele comparou o trabalho da força policial com a montagem de um quebra-cabeças de 5 mil peças. “Estamos falando de dezenas de criminosos, veículos e armamentos pesados em grandes quantidades. São inúmeras peças que não estão na caixa correta do quebra-cabeças, ou na mesma sala, ou estão viradas para baixo”, explica.

A partir de agora, segundo ele, algumas peças serão buscadas em outros locais ou serão encontradas misturadas com outras. Cruz reforça, ainda, que a polícia não pode trabalhar em uma busca desenfreada pelos criminosos. “Temos peças colocadas à mesa e elas vão, gradativamente, se encaixando. Já estão sendo trazidas para cá peças paralelas. Assim, conseguiremos ver todos os envolvidos e levá-los à Justiça.”

Decisão de não confronto partiu do comando da polícia

Desde o crime, a atitude da Polícia Militar (PM) em permanecer dentro do quartel durante o assalto foi alvo de intenso debate e discussão entre os moradores de Criciúma. O comandante-geral da PM de Santa Catarina, coronel Dionei Tonet, aproveitou a coletiva desta tarde para reforçar que a decisão de não confronto partiu do comando da polícia naquele momento. “Determinamos que fosse feita a segurança do perímetro para proteger a vida das pessoas. Seja dos nossos policiais, dos reféns ou da comunidade em que estamos inseridos”, afirma.

Tonet reforça que a segurança pública do Estado está preparada para ofertar condições de proteção à comunidade, e equipada para fazer frente às ocorrências tradicionais que acontecem em território catarinense. “Este fato foi único em Santa Catarina, foi extraordinário, mas foi tratado com o profissionalismo necessário para aquele momento.”

O comandante-geral avalia, ainda, que os policiais estavam equipados com coletes, armas longas e em condições de confronto. “Mas é importante dizer que nosso soldado Esmeraldino, ferido em ação, teve o colete perfurado pelo projétil do fuzil. Eles estavam com armas de guerra, que não deveriam ser utilizadas em solo urbano. A decisão do não confronto se deu não pelas armas que nós tínhamos, mas pelas que eles portavam e poderiam trazer danos a civis”, justifica.

O policial ferido, soldado Esmeraldino, segue internado em estado grave. O comandante do 9.º Batalhão da Polícia Militar de Criciúma, tenente-coronel Dimitri, afirma que o fato de não haver mortes foi um alívio para o quartel. “Em 2003, tivemos um assalto ao Unibanco em que dois policiais morreram no combate. Na época, eles não levaram nada. Agora, eles levaram milhões, mas não deixaram ninguém morto.”

Para o próximo ano, a PM do Estado já trabalha na recomposição da capacidade de proteção de seus policiais. A intenção, segundo Tonet, é de que as radiopatrulhas passem a operar em estações mais protegidas, com armas longas e mudança no perfil dos coletes à prova de bala.

Durante toda a entrevista, o delegado da Diretoria Estadual de Investigação Criminal (Deic), Anselmo Cruz, fez questão de reforçar que a não divulgação de informações oficiais é proposital, e acontece em auxílio à investigação. Para ele, o fato de uma série de trabalhos terem sido mostrados nos últimos dias pode ter atrapalhado a ação policial. "Existem informações que, se divulgadas, podem prejudicar nosso trabalho, então a partir daqui não responderemos muitas coisas sobre a investigação”. 

Não há, ainda, um prazo para que a investigação tenha fim. “Existem prazos legais a serem cumpridos, mas esta é uma mágica que não pode ser respondida. Um assalto que levou meses de planejamento não pode ser solucionado em tempo menor que este”, continua. 

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