Quadrilha suspeita de matar Celso Daniel está identificada

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) divulgou nesta quarta-feira o nome de todos os integrantes da quadrilha suspeita de ter seqüestrado e assassinado o prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), no dia 20 de janeiro.Entre os integrantes do bando estão quatro novos suspeitos, cujos nomes não haviam sido divulgados. Um deles, Deivid Santos Barbosa, o Sapeco, de 20 anos, foi detido nesta quarta pelo Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic) e teve a prisão temporária decretada.O diretor do DHPP, Domingos Paulo Neto, falou nesta quarta pela primeira vez sobre o caso como um crime esclarecido e sem motivação política. "Os autores são esses. Tudo leva a um crime comum", disse o diretor. Os novos suspeitos, além de Sapeco, são Antônio Carlos Pereira Santos, o Legal, de 27 anos, Deivison Cristiano Corrêa, o Alemão, de 22, e Elcyd Oliveira Brito, o John, de 23, todos procurados pela Justiça, com passagens por roubo.Bando tem 13 pessoasOs demais já tinham tido os nomes revelados: Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro (líder do bando), Itamar Messias Silva dos Santos, Juscelino da Costa Barros, o Cara de Gato, Mauro Sérgio Santos de Souza, o Serginho, e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o Bozinho. Já haviam sido presos Andrelison dos Santos Oliveira, o André Cara Seca, irmão de Bozinho, Manoel Dantas Santana Filho, o Cabeção, Marcos Roberto Brito dos Santos o Marquinhos, e o menor Kiti.DigitaisAo todo, o bando suspeito de matar Celso Daniel tem 13 pessoas. Nove estão sendo procurados pela polícia. Segundo o diretor do DHPP, a maior prova são as digitais dos dedos polegar e anular esquerdos de Itamar, encontradas na porta do motorista da Pajero do empresário Sérgio Gomes da Silva - que acompanhava o prefeito na hora do seqüestro. "Isso é claro. Ele (Itamar) participou daquela ação", afirmou Paulo Neto. Com as digitais, a polícia já sabe que Itamar foi quem tirou Silva do veículo.IntimaçãoO diretor do DHPP leu um cronograma com todos os acontecimentos da investigação, desde o assassinato do prefeito, em 20 de janeiro. Afirmou até que seu departamento entregou uma intimação para a sogra de um dos suspeitos, André Cara Seca, para que ele comparecesse espontaneamente ao DHPP.O delegado disse que a investigação prossegue para saber quais integrantes da quadrilha participaram efetivamente do crime. "Temos informações da participação deles." PeríciaAs perícias entregues pelo Instituto de Criminalística (IC) reforçam a suspeita sobre o bando. Os exames macroquímicos feitos na terra encontrada em um dos bolsos da calça de Celso Daniel e do solo da Favela Pantanal revelaram compatibilidade. "São exames preliminares que serão aprofundados", disse o diretor do IC, José Domingos Moreira Eiras.A perícia realizada na primeira Blazer apreendida pela polícia, na Favela Pantanal, confirma que o veículo foi o que bateu na Pajero blindada de Silva durante a ação dos bandidos.Questão polêmicaA questão mais polêmica, o encontro de um comprovante de pagamento de um plano de saúde em nome de Celso Daniel num suposto cativeiro da Favela Pantanal, ficou sem explicação. Os policiais do Deic localizaram o documento dez dias depois de o DHPP vistoriar o local e não achar nada. Perguntado se houve falha do perito ou se o documento fora colocado no local, o diretor do IC afirmou, após uma longa pausa para pensar: "99% de que (o documento) não estava no local."CriseEste episódio foi o ponto mais alto de um início da crise entre o Deic e o DHPP, que ouviu 99 testemunhas e perseguiu durante um mês (mesmo após a quadrilha ter sido descoberta) a linha de investigar pessoas ligadas ao prefeito assassinado. "O departamento nunca desconsiderou nenhuma hipótese", justificou Paulo Neto. "O Deic está fazendo um excelente trabalho."Testemunhas do PT ouvidas no DHPP chegaram a acusar a polícia de coação e ameaças. No fim, todas passaram a comparecer aos depoimentos acompanhadas de advogados. "Isso não ocorreu. Mas todos que são interrogados são advertidos das penas para o crime de falso testemunho."Formação de quadrilhaPaulo Neto garantiu que não houve nenhuma disputa entre os departamentos da polícia. "Existe uma vontade de todos em esclarecer o caso." O Deic está investigando o crime de formação de quadrilha. Todos os suspeitos presos foram indiciados pelo delegado Edison De Santi pela formação do bando.O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), destacado pelo partido para acompanhar a investigação do crime, divulgou nota na qual afirma aguardar "ansiosamente" o encontro da arma usada no crime e a prisão dos demais membros da quadrilha.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.