Quadro da princesa Isabel causa rebuliço

Presente de Lily Marinho, obra foi posta à venda por descendente real

Márcia Vieira, RIO, O Estadao de S.Paulo

05 Agosto 2009 | 00h00

Um retrato da princesa Isabel, pintado pelo artista francês Jules le Chevrel, no século 19, que nunca foi exposto no Brasil, está sendo vendido no Rio por R$ 350 mil. O anúncio foi feito pelo Instituto D. Isabel, uma organização não-governamental que tem como sócios honorários os descendentes da família real brasileira. A tela mede em torno de 50 cm x 75 cm, mas está causando um grande rebuliço na sociedade carioca. A venda da obra permanece cercada de sigilo. "O quadro pertence à coleção de um dos príncipes de Orleans e Bragança, descendente direto da redentora, que mora no Rio de Janeiro. Mas ele não quer que seu nome seja revelado. Isso é uma questão familiar", diz Bruno de Cerqueira, gestor do Instituto D. Isabel. O dono do quadro é d. Pedro de Alcântara Orleans e Bragança, de 63 anos, morador do Flamengo, bairro de classe média da zona sul do Rio. Procurado pela reportagem do Estado para falar sobre a venda do quadro, Pedro de Alcântara não retornou a ligação até a noite de ontem. A obra foi um presente de Lily Marinho. No final do ano passado, ao vender sua casa de Petrópolis e se desfazer de todos os quadros e peças de mobiliário, a viúva do empresário Roberto Marinho resolveu presentear o amigo com o retrato da princesa Isabel. Queria que ele tivesse uma lembrança dos seus antepassados. Menos de um mês depois da doação, Pedro Alcântara fez avaliações com peritos para saber o preço do quadro. Quando soube que o retrato seria vendido, Lily Marinho desabafou com amigos próximos. Disse que estava muito chateada e decepcionada. "Ela esperava que d. Pedro passasse o quadro para os filhos. Ela queria que a obra ficasse na família", disse um desses confidentes de Lily Marinho. Ontem, procurada pela reportagem, ela não quis comentar o assunto. VASSOURAS Pedro de Alcântara Orleans e Bragança pertence ao chamado ramo de Vassouras (cidade no sul fluminense) da família imperial. É bisneto da princesa Isabel. Os descendentes diretos de seu avô, d. Luiz, disputavam com os seus primos de Petrópolis, na região serrana do Rio, o direito à sucessão ao trono, caso um dia o País virasse uma monarquia. O quadro que está à venda mostra a princesa Isabel em trajes de gala. Segundo o instituto que leva o nome da filha de d. Pedro II, o retrato deve ter sido feito por volta de 1864, quando ela se casou com o príncipe francês Gaston de Bourbon-Orleans, o conde d? Eu. O francês Jules le Chevrel, formado na Escola de Belas Artes de Paris, se estabeleceu na corte de d. Pedro II por volta de 1845. Era uma espécie de retratista oficial da corte. Foi professor interino da Imperial Academia de Belas Artes, substituindo os pintores Victor Meirelles e Pedro Américo. Mais tarde, tornou-se titular da cadeira de Desenho da Academia e, depois, da de Pintura Histórica. CARTAS Além do quadro, o Instituto D. Isabel também anunciou a venda de um lote de 20 cartas da princesa Leopoldina Thereza, filha caçula de d. Pedro II. O acervo pertence ao arquiteto Luciano Cavalcanti de Albuquerque, descendente da condessa de Belmonte, uma espécie de mãe de criação de d. Pedro II. As cartas foram escritas entre os anos de 1856 e 1870. "Elas foram enviadas para a filha e para a neta da condessa de Belmonte", conta Luciano. "Gostaria de vender o lote para alguém que conservasse as cartas. Elas são importantes dentro do contexto histórico brasileiro." NÚMEROS 19 é século em que o quadro retratando a princesa Isabel foi pintado, pelo artista francês Jules le Chevrel. A obra foi, provavelmente, feita na época do casamento da princesa com o conde d?Eu e mostra Isabel em trajes de gala R$ 350 mil é o valor que d. Pedro de Alcântara Orleans e Bragança está pedindo pela obra, que foi doada no fim do ano passado por Lily Marinho 50 por 70 centímetros mede a tela que está causando rebuliço na sociedade carioca 20 cartas da princesa Leopoldina Thereza, filha caçula de d. Pedro II, também estão à venda 1856 a 1870 é o período em que as cartas teriam sido escritas. Elas estão sendo vendidas por um descendente da condessa de Belmonte

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