Qualidade de vida nas metrópoles é alta

16 regiões metropolitanas avançaram no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em saúde, educação e renda

Lígia Formenti e Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 22h12

BRASÍLIA - A qualidade de vida dos moradores de 16 regiões metropolitanas brasileiras melhorou entre 2000 e 2010. Resultados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) mostram que todas as áreas analisadas têm pontuação suficiente para serem classificadas como de alto desenvolvimento humano. O avanço foi identificado em todos os indicadores: saúde, educação e renda.

O maior salto foi registrado nas Regiões Norte e Nordeste. A região metropolitana de Manaus, anteriormente classificada como de baixo desenvolvimento humano, deu um salto de 23,1% no indicador e agora é considerada como de alto desenvolvimento humano. Em Fortaleza, o crescimento foi de 17,7% e em Belém, de 17,4%.

São Paulo é a zona metropolitana com IDHM mais alto do País. A região paulista alcançou a nota 0,794 (o índice vai de zero a 1), seguida de perto pelo Distrito Federal, com 0,792, e por Curitiba, com 0,783. Manaus, o pior colocado, registrou nota 0,720. 

Problemas. Apesar da melhora, as diferenças de desenvolvimento ainda são gritantes. Os reflexos podem ser constatados nos índices de educação, longevidade e renda. Um morador da zona mais nobre de Manaus pode viver 14 anos mais do que outro da zona mais pobre. Um habitante da periferia de São Paulo tem como renda R$ 13,4 mil a menos do que o morador dos bairros mais nobres. Em Porto Alegre, 95,8% dos moradores das zonas mais ricas têm pelo menos o ensino fundamental completo. Nas mais pobres, são apenas 26,7%.

“O resultado ajuda a terminar com os mitos. Temos pobres em regiões ricas e vice-versa. Desenvolvimento humano é muito mais complexo”, afirma Marilena Chaves, presidente da Fundação João Pinheiro, responsável pelo estudo, ao lado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Organização das Nações Unidas (ONU). 

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, observa não ser raro encontrar exemplos de desigualdades em áreas muito próximas. Como exemplo, ele citou o Lago Sul, região nobre de Brasília, e Paranoá. “A distância entre as duas áreas é pequena. Mas o índice de analfabetismo na região mais rica é dez vezes menor”, disse.

No Recife, a diferença entre Espinheiro, a região com maior IDHM, e Ipojuca, o pior colocado, é de 0,432 ponto. É a maior desigualdade entre todas as áreas metropolitanas pesquisadas. Cuiabá tem a menor diferença dentro da sua zona metropolitana: 0,325 ponto.

Neri observa, no entanto, que as diferenças já foram muito mais acentuadas. Entre 2000 e 2010, a disparidade entre o maior e menor IDHM passou de 22,1% para 10,3%. Em 2000, a diferença entre regiões metropolitanas de São Paulo e de São Luís - a maior registrada naquele período - era de 0,132 ponto. 

No mais recente levantamento, a diferença entre o melhor e o pior colocado no quesito renda (Distrito Federal e Fortaleza, respectivamente) foi de 0,110 ponto. A diferença de esperança de vida, que em 2000 era de 4,82 anos entre o primeiro e último colocado (Porto Alegre e São Luís), passa para 2,9 anos em 2010 (Distrito Federal e São Luís).

O desempenho na área de educação foi o que mais influenciou a melhora geral do IDHM. “Indicadores mostram que estamos avançando. Democracia, universalização e combate à pobreza dão resultado e isso se reflete no Atlas. É o principal resultado que se pode trazer”, diz o pesquisador do IPEA marco Aurélio Costa.

Divulgação adiada. Neri reconheceu que o levantamento poderia ter sido divulgado há alguns meses, mas o anúncio foi adiado por causa das eleições. “A instituição tem um cuidado fundamental. Achamos importante divulgar quando corações e mentes já estão mais calmos.” Em outubro, o diretor Herton Araújo pediu afastamento depois de o Ipea retardar a divulgação de dados sobre o avanço da pobreza extrema. 

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