Quantidade de armas apreendidas no Brasil se aproxima do arsenal da polícia

Estudo indica que material apreendido em crimes e ações violentas passa dos 752 mil; segundo assessoria de imprensa do TJ-RJ, armas são mantidas no depósito do Dfae, pois são provas de crime

Efe,

19 Abril 2011 | 02h45

SÃO PAULO - As autoridades brasileiras têm armazenado um arsenal de 752.934 armas apreendidas em crimes e ações violentas, número que quase se equipara à quantidade de armas em poder das forças de segurança, segundo um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgado nesta segunda-feira.

 

De acordo com o estudo, divulgado pelo site G1, um total de 552 mil armas, dado que corresponde a 73% do arsenal armazenado, se encontra em Tribunais de Justiça e no depósito da Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos da Polícia Civil (Dfae) do estado do Rio de Janeiro.

 

"Todas as armas envolvidas em ações são mantidas no depósito do Dfae até o fim do processo, pois são provas de crime", informou a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), citada pelo G1.

 

O arsenal se aproxima da quantidade de armas em poder dos diferentes órgãos de Polícia (Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal e Força Nacional), que se situa em 766,1 mil unidades, segundo um estudo elaborado em 2010 pelo Ministério da Justiça e pela ONG Viva Rio.

 

O conselheiro do CNJ Felipe Locke Cavalcanti se mostrou surpreso diante da quantidade de armas apreendidas. "Quando começamos o cadastro de bens apreendidos, no final do ano passado, sabíamos que o número de armas era grande, mas não tínhamos ideia que era tanto", indicou.

 

Ele admitiu ainda que as dependências da Justiça não estão preparadas para armazenar armas e pediu a destruição no prazo mais breve possível.

 

A publicação do relatório coincide com o anúncio do Ministério da Justiça (MJ) de que sua próxima campanha de desarmamento da população civil e recolhimento de armas terá início no dia 6 de maio e tem a ambição de alcançar todos os municípios do Brasil.

 

A campanha de recolhimento de armas será permanente e o Ministério contará, até o fim de 2011, com R$ 10 milhões para investir nas ações do programa. Além da Polícia Federal e das Forças Armadas, delegacias da Polícia Civil, quartéis da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, ONGs e igrejas servirão como postos de coleta.

 

Os cidadãos que entregarem suas armas serão indenizados com uma quantia que oscilará entre R$ 100 e R$ 300.

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