EFE
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Quase 8 mil armas de grande porte são entregues em campanha

Parceria para desarmamento vai ser estendida para 2012; ao todo, 36 mil peças foram entregues

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2011 | 16h55

BRASÍLIA - Um verdadeiro arsenal de guerra, de 7.640 armas de grande porte, foi entregue por brasileiros de todo o País para o governo destruir na terceira fase da campanha nacional de desarmamento, desencadeada em maio pelo Ministério da Justiça. São rifles, fuzis, escopetas, carabinas e metralhadoras, entre outras armas de uso restrito de forças militares que, pela primeira vez, foram entregues ao Estado por conta de uma novidade da campanha: o anonimato.

Nesta fase, não é necessária a identificação de quem devolve as armas, o que está estimulando a entrega, segundo informou o ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto. 80% das devoluções foram feitas na condição de anonimato e cerca de 20% eram artefatos de grande porte.

Muitos deles pertenciam a traficantes que fugiram de morros do Rio de Janeiro, ocupados este ano por tropas estaduais e federais no processo de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs.

Como todas foram entregues sem identificação, não se sabe se alguma foi devolvida por traficante. Por relatos informais, sabe-se que, no caso dos morros ocupados, a maior parte das armas foi entregue por familiares, vizinhos e amigos dos bandidos que sabiam onde eles haviam escondido os artefatos na fuga. O governo paga entre R$ 100 e R$ 300 por arma devolvida, conforme o calibre.

Neste ano, foram entregues 36.834 armas, entre elas, as de grande porte, além de 151 mil munições. Os revólveres lideraram a lista de itens, com mais de 18 mil unidades devolvidas. O dado que mais chamou a atenção das autoridades foi a entrega de 95 fuzis, entre os quais os da marca AK-47, de alta precisão e letalidade. Foram pagos R$ 3,5 milhões em indenizações.

Ranking. Os Estados que mais devolveram armas foram São Paulo (9.994), Rio Grande do Sul (4.599), Rio de Janeiro (3.918) e Minas Gerais (3.033). Na relação entre número de entregas com tamanho da população, o Rio Grande do Sul dispara em primeiro lugar com 43 por grupo de 100 mil. A seguir vêm Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. "Muitas eram armas em poder de pessoas de bem e que, compradas na feira, de um conhecido ou vizinho, não eram devolvidas por medo, uma vez que desconheciam a origem", explicou o ministro.

Extensão. O Ministério da Justiça e o Banco do Brasil assinaram um termo de renovação da parceria para pagamento das indenizações por armas recolhidas na campanha, que será estendida pelo menos durante todo o ano de 2012. O governo vai manter o anonimato na entrega e ampliar os postos de coleta em milhares de municípios e focar a campanha agora nos homicídios por motivo banal.

"Cidadãos de bem às vezes matam por motivos passionais: o som alto do vizinho; uma bebedeira; brigas de trânsito ou rixas pessoais. Tudo porque tinham uma arma à mão num momento de exaltação", disse Barreto. "Esses crimes de motivo fútil elevam muito os taxas de homicídios e isso não pode continuar no Brasil que queremos construir", afirmou.

Campanha. Nas duas versões anteriores, (2004 e 2005), foram recolhidas 570 mil armas. Com a derrota no plebiscito que pretendia proibir no País o comércio armamentista, a entrega arrefeceu. Mas em 2008 e 2009, cerca de 500 mil pessoas legalizaram suas armas. "Agora a campanha segue como política pública permanente de segurança", disse Barreto.

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