Quase metade dos vôos atrasa em todo o País

O aeroporto com mais problemas de atraso é o de Porto Alegre. Dos 55 programados, 35 estão atrasados

Fabiana Marchezi, do Estadão, e Mônica Aquino, do estadao.com.br,

22 Julho 2007 | 19h59

Um novo balanço divulgado pela Infraero no início da noite deste domingo, 22, mostrou que a situação continuava complicada nos aeroportos brasileiros. Segundo a Infraero, no decorrer do dia, não houve mudanças significativas no porcentual de vôos com problemas em relação ao período matutino - quase metade do total. Os problemas ainda são reflexos da pane que atingiu, no último sábado, 21, o sistema elétrico do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-4), com sede em Brasília, que impediu a entrada e saída de vôos internacionais no País, gerando um efeito cascata de atrasos e cancelamentos.   De acordo com o balanço, 44% dos vôos programados para todo o País entre 0h e 19 horas sofreram atrasos de mais de uma hora e 10,3% das operações foram canceladas. Segundo a estatal, dos 1.326 vôos previstos, 584 atrasaram, enquanto 137 foram cancelados. Contudo, às 19 horas, 63 operações permaneciam fora do horário previsto. Ainda segundo a Infraero, o maior porcentual de problemas foi registrado no Aeroporto de Internacional do Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde 35 dos 55 vôos previstos atrasaram mais que uma hora. Porém, nenhum vôo foi suspenso. Os números indicam que 63,6% das operações atrasaram.   O Aeroporto de Salvador, na Bahia, foi o segundo a registrar maior percentual de atraso. Dos 67 vôos previsto, 40 sofreram atrasos superiores a uma hora e um cancelamento. Os números apontam que 59,7% das operações atrasaram e 1,4% foi canceladas.   Em São Paulo, o desvio de vôos do aeroporto de Congonhas, na zona sul da cidade, para o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, provocou o atraso de 83 vôos, do total de 221 programados para o final da tarde, em Cumbica. Segundo a Infraero, 11 vôos também haviam sido cancelados. Já no Aeroporto de Congonhas, 50 dos 156 vôos tinham atrasos - 32% do total - e 40 haviam sido cancelados.   A assessoria da Infraero em Cumbica atribui a situação no aeroporto a um aumento do fluxo de vôos e passageiros para o aeroporto, após o desastre da última terça-feira em Congonhas, com o Airbus A-320 da TAM, que matou quase 200 pessoas. A tragédia levou ao fechamento da pista principal do aeroporto da capital paulista e deixou muitas pessoas com medo de voar para lá.   No Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, os atrasos chegam a 60% - 17 do total de 28 programados até às 19 horas. No Galeão, também no Rio, do total de 132 programados, segundo a Infraero, 50 registram atraso de mais de uma hora (37,8%). Os vôos cancelados representam 14,3%.   A situação também era complicada no Aeroporto do Recife, onde mais da metade dos vôos atrasaram neste domingo. Dos 28 vôos programados, 15 tiveram atrasos até às 13 horas (53,57%) . Além disso, outros dois vôos foram cancelados. Apesar disso, o clima era de aparente tranqüilidade no local, bem diferente da madrugada de sábado, quando o empresário mineiro Rodrigo Meira, 28, foi expulso pela tripulação da TAM do vôo 9681 - que ia de Recife para Belo Horizonte.   De acordo com as comissárias da empresa, Rodrigo havia feito uma piada de mau gosto sobre o acidente com o vôo 3054, o que deixou passageiros e tripulantes indignados. Horas depois, cerca de 150 passageiros da empresa foram obrigados a sair do avião (vôo 3491, com destino a Natal) depois que a aeronave apresentou problemas mecânicos.   Protestos e muita espera em Cumbica   As filas de check-in no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, fazem com que os passageiros descubram maneiras inusitadas de fazer o tempo passar. Assim acontece com o autônomo Eliezer Viana, que faz uma viagem de férias com a mulher e os três filhos, com destino a Fortaleza. "Resolvi fazer dessa viagem a grande 'aventura' das crianças. Estamos encarando cada parte da espera como um desafio engraçado", diz.   A estudante Luiza Ramos Termignoni não é tão positiva quanto o autônomo. Vinda de Porto Alegre, ela perdeu em um vôo da Gol, ela perdeu sua conexão para Amsterdã e teve de esperar 24 horas para conseguir embarcar novamente. "A Gol não me deu hotel, se não tivesse amigos em São Paulo, teria de passar a noite no aeroporto. Não agüento mais esse descaso", comenta.   As irmãs Maria e Victória Andrade Modesto estão acostumadas a fazer a 'ponte-aérea' Rio-Salvador a cada 15 dias e já perderam as contas de quantas vezes foram prejudicadas pelo caos aéreo que vive o País. "Em uma das vezes, a gente ficou brincando de pega-pega, para ver se o tempo passava", conta Maria, que é a caçula.   O pai das meninas já pensa em diminuir o ritmo de visitas que elas fazem a São Paulo. "Tenho medo quando elas embarcam e penso em vê-las com menos freqüência. O governo não toma nenhuma atitude e os problemas, a cada dia, só aumentam mais, junto com a desorganização", diz Marcelo Modesto.   (Colaborou Tatiane Matheus, do Estadão)

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Vôo 3054

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