Quase um terço dirige sem carteira no País, revela Ibope

Segundo pesquisa, jovens têm consciência de que lei não é respeitada e que a fiscalização é inexistente

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

17 Setembro 2007 | 15h40

Uma pesquisa de âmbito nacional mostrou que 30% dos maiores de 18 anos dirigem automóveis sem possuir habilitação. Entre aqueles que ainda não completaram essa idade, 12% disseram que costumam sair com carro no trânsito. No caso de motociclistas, 61% dos maiores de 18 anos não têm habilitação. A maior agravante é que 15% das pessoas ouvidas, entre 16 e 17 anos, afirmaram dirigir motos. A pesquisa foi realizada pelo Ibope e ouvindo mil jovens de 16 a 25 anos. É um dado alarmante", considerou a pedagoga paulista Nereide Tolentino, coordenadora da pesquisa. Segundo ela, tão preocupante quanto esse dado é o fato de que os jovens, sobretudo os que estão dirigindo irregularmente, contam com a "anuência da comunidade familiar". Apenas 10% declararam ter aprendido a dirigir com instrutores qualificados. A grande maioria aprendeu com os pais, familiares ou amigos, sem passar pelos Centros de Formação de Condutores. Além da pesquisa quantitativa feita por telefone, Tolentino promoveu alguns encontros para debate em três municípios: São Paulo, Porto Alegre e Goiânia. Saiu com uma convicção: "Há um total descrédito pela fiscalização". De acordo com ela, os jovens têm consciência de que o sistema montado para evitar abusos no trânsito não é respeitado e que a fiscalização é inexistente. "Ele não acredita na autoridade", afirmou. Segundo ela, se houver uma decisão por fiscalizar os motociclistas em um único dia em uma das cidades pesquisadas, não haverá lugar para colocar as motos recolhidas. Semana do Trânsito O jovem e o trânsito é uma das principais preocupações da Semana Nacional do Trânsito, que se realiza de amanhã até o dia 25. Dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) mostram que, em 2005, do total de mortos em acidentes de trânsito no País, 43% tinham entre 18 e 29 anos. "Não há nenhuma ação definida para um trabalho sério de educação", lamentou Tolentino. "É obrigatória por lei a educação para o trânsito, mas é outra lei que não se cumpre."

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