Samira Chami Neves/ UFPR
Samira Chami Neves/ UFPR

Quatro alunos da UFPR são presos após calouros sofrerem queimaduras em trote

Grupo foi atingido por creolina usada em trote nesta semana. Suspeitos podem responder na Justiça por lesão corporal gravíssima. Polícia investiga o caso

Julio Cesar Lima, especial para o Estadão

01 de abril de 2022 | 15h27

CURITIBA - Quatro estudantes foram presos em flagrante após um caso de trote violento contra calouros do curso de Medicina Veterinária do câmpus de Palotina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na quarta-feira, 30, um grupo de cerca de 20 jovens sofreu queimaduras após ser atingido por creolina jogada supostamente por veteranos do curso. Segundo a polícia, os suspeitos podem responder na Justiça pelos crimes de constrangimento ilegal e lesão corporal. 

Os calouros passaram por exames de corpo de delito no IML de Toledo. . No total, 19 calouros prestaram queixas à Polícia. 

Os exames de lesão corporal foram solicitados pelo delegado Pedro Lucena, que está acompanhando o caso. Por meio de nota, a UFPR se manifestou sobre o caso e informou que “a posição institucional do trote sem violência, na conscientização dos alunos de que a recepção aos calouros deve ser um momento de alegria e integração com os veteranos".

"A UFPR não tolera nenhum tipo de violência e o episódio infeliz envolvendo calouros em Palotina é um caso isolado. A direção do Setor Palotina já abriu o processo de apuração de responsabilidade sobre esta ação de trote violento que resultou em queimaduras nos calouros”, informou.

Já a Polícia Civil está investigando o caso e se manifestou por meio da assessoria. ”Eles foram pedir dinheiro no sinaleiro, e após isso, os veteranos os encurralaram em um terreno baldio. Os alunos foram obrigados a se ajoelharem enquanto os veteranos jogavam um produto nas costas deles, ocasionando lesões corporais graves", descreveu.

"No local, foi encontrado um litro de creolina. Até o momento quatro pessoas foram presas em flagrante e vão responder por lesão corporal gravíssima e constrangimento ilegal. A PCPR segue investigando o caso e realizando diligências para localizar os outros suspeitos”, informou a nota.

Para auxiliar os calouros e familiares das vítimas, a UFPR colocou um ônibus e profissionais para acompanharem os jovens ao IML. “Psicólogos e assistentes sociais da universidade acompanharam os estudantes nos exames de corpo de delito, realizados pelo Instituto Médico Legal (IML). No início da próxima semana, médicos dermatologistas, docentes do Campus Toledo da UFPR, iniciarão atendimentos individualizados com as vítimas para o tratamento mais adequado das lesões. A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) está em contato com os familiares dos alunos para orientações”, informou em nota.

Em entrevista ao Portal CATVE, uma das estudantes, que preferiu o anonimato, declarou que o produto derramado logo provocou efeitos. “No meu caso foi rápido, eles tacaram e eu comecei a pedir socorro porque estava ardendo, depois tomei banho, mas escureceu a ferida e fui para o hospital”, comentou. Outro calouro disse que esperava uma recepção mais amistosa. “A gente foi para o trote achando que seria uma interação entre veteranos e calouros e foi um grande desastre.”

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