Quatro anos depois de perder para Lula, Alckmin vê Serra em vantagem

Quatro anos depois de perder para Lula, Alckmin vê Serra em vantagem

'Não será fácil, mas temos mais chance', diz ele, avaliando que a candidatura presidencial tucana desta vez está mais estruturada

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2010 | 00h00

Vai além dos números da última pesquisa Datafolha, que dá 9 pontos de vantagem em favor de José Serra, o otimismo do PSDB. Com a experiência de quem foi derrotado na disputa a presidente, Geraldo Alckmin avalia que a candidatura Serra está muito melhor estruturada do que a dele, em 2006. "Não será eleição fácil, mas temos mais chance", diz.

Hoje, o tucanato lista pelo menos meia dúzia de boas razões para sustentar a expectativa positiva com a candidatura presidencial de Serra. E a primeira não há quem conteste. "Desta vez, o mito Lula está fora da disputa", afirma Alckmin, pré-candidato a governador de São Paulo, frisando que o quadro nacional se inverteu, em uma referência ao PT, da ex-ministra Dilma Rousseff: "Agora, a luta para virar é deles."

Mais do que livrar o candidato tucano do confronto direto com um presidente recordista em aprovação popular, os tucanos também comemoram o fato de não terem de enfrentar um presidente no exercício do mandato, disputando a reeleição. Dizem que no Brasil, como nos Estados Unidos, a derrota de um presidente candidato é uma espécie de evento de probabilidade zero, embora não impossível.

Disputa artificial. Os serristas mais entusiasmados aproveitam para elogiar a teimosia de Serra em não assumir a condição de candidato, que tanto irritou boa parte da cúpula tucana. Dizem que, agindo assim, Serra evitou o que o tucanato paulista chama de "disputa artificial com o mito", guardando forças para brigar com a candidata de carne e osso, Dilma Rousseff.

É aí que toda a cúpula do PSDB acredita que está a grande vantagem de Serra, frente à inexperiência da adversária. Afinal, Dilma jamais disputou uma eleição e Serra tem carreira política extensa, além do recall da briga com Lula em 2002 - fora a comparação dos currículos. Enquanto Dilma ocupou uma secretaria de Estado no Rio Grande do Sul, e dois ministérios no governo Lula, Serra contabiliza a boa repercussão de sua passagem pelo Ministério da Saúde, a temporada no Planejamento, a prefeitura e o governo de São Paulo, que investirá R$ 22 bilhões este ano.

Limbo. Daqui até junho, quando ocorrem as convenções partidárias que tornam legais as candidaturas, Serra e a petista Dilma amargarão uma espécie de limbo da política, em que a campanha já começou, mas a lei proíbe falar de candidaturas. Que o diga Alckmin, com a autoridade de quem ficou imobilizado, aguardando o início da campanha eleitoral no rádio e na televisão, enquanto Lula desfilava em sua faixa presidencial, inaugurando obras pelo País.

A esperança do PSDB é que, depois das duas multas que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicou no presidente Lula, por fazer campanha fora de época, o PT e seu presidente de honra sejam mais cuidadosos.

Uma das maiores diferenças em favor de Serra, tomando a candidatura Alckmin mais uma vez como referencial, está na montagem das alianças nos Estados. Em 2006, os aliados estavam conflagrados em vários locais, dificultando e até impedindo a presença do candidato.

Foi assim na Bahia, onde DEM e PSDB guerreavam a ponto de o deputado serrista, Jutahy Júnior, compor com o PT do governador Jaques Wagner contra o grupo do senador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007. Também havia briga no Rio de Janeiro, em Tocantins, em Goiás e no Rio Grande do Norte, agora pacificados.

Capital político. Mas a grande aposta de Alckmin, que pode conferir a Serra um capital político inédito no embate com o PT, é a disposição de luta dos partidos da aliança. "A oposição está com gana de ganhar esta eleição e mais consciente de que agora é a hora da vitória", diz o candidato ao governo paulista.

Ele lembra que, mesmo sem estrutura, ainda conseguiu levar Lula ao segundo turno e vencê-lo em 11 Estados e até capitais nordestinas como Maceió e Aracaju. "Com Serra será diferente", sentencia, ao observar que o tucano ainda pode se beneficiar dos erros dos adversários. "E, como eles são muito abusados, a possibilidade de cometerem erros é muito grande."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.