Quatro aviões da FAB retomam buscas por avião da Air France

Aviões não encontraram nada na madrugada; morador de Fernando de Noronha informa sobre vestígios, diz TV

Rosana de Cassia, de O Estado de S. Paulo,

02 de junho de 2009 | 07h55

Quatro aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) iniciaram nesta terça-feira, 2, o segundo dia de buscas pelo Airbus da Air France, que desapareceu no último domingo com 228 a bordo. A FAB sobrevoa a área sobre o Oceano Atlântico, a 1.200 quilômetros de Natal, onde teriam sido vistos pontos luminosos, segundo a tripulação de um avião da TAM, e "objetos boiando no mar", segundo José Carlos Pereira, oficial da Aeronáutica e ex-presidente da Infraero, que podem ser vestígios do avião.

 

Também teriam sido vistas manchas de óleo na área, a 870 quilômetros de Fernando de Noronha, segundo informações de um morador do arquipélago de Fernando de Noronha. Durante a madrugada, dois aviões que fizeram a varredura no local não encontraram nada, segundo o coronel Jorge Amaral, vice-chefe da Comunicação Social da Aeronáutica. Além dos aviões da FAB, uma aeronave francesa e outra norte-americana foram colocadas à disposição para auxiliar nas buscas.  

 

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Pereira, em entrevista à Record, disse que os objetos serão examinados porque os navios jogam muito lixo no mar. Um morador do arquipélago de Fernando de Noronha também afirmou nesta manhã ter ouvido, por meio de sua central de rádio amador, informações de que alguns vestígios - manchas de óleo e objetos não identificados - foram encontrados no mar, a 870 quilômetros de Fernando de Noronha, próximo das ilhas São Paulo e São Pedro. Segundo a TV Globo, a conversa era entre oficiais que comandam as buscas aos destroços do Air Bus A-330 200.

 

A FAB investiga ainda se clarões no Atlântico são de Airbus perdido. Na segunda à noite, a tripulação de um avião da companhia aérea TAM informou que avistou "pontos laranja" no local, que poderiam ser os destroços do avião. Segundo a FAB, a nave da TAM estava a cerca de 10 minutos do espaço aéreo do Brasil e, portanto, sobrevoava o espaço aéreo do Senegal, quando relatou que avistava possíveis chamas sobre o oceano.

 

Ainda segundo o coronel, em entrevista à TV Globo, no programa Bom Dia Brasil, varreduras nos radares dos aviões que participaram das buscas na madrugada estão sendo feitas. "As aeronaves que voaram no início da madrugada já pousaram, o Hércules, que foi o primeiro, não encontrou nada, e o R99, pousou no início da manhã. As análises estão sendo feitas das varreduras do radar que eles têm a bordo", disse. Segundo ele, as outras quatro aeronaves estão fazendo novas buscas, de acordo com a avaliação das correntes marítimas.

 

Ele informou que o Localizador de Transmissão de Emergência, emitido pela caixa-preta do aparelho, tem tempo de vida útil, porque é carregado a bateria. "Porém, sabemos que desde que aconteceu o desaparecimento, nenhum sinal foi detectado nem por satélite e nem por aeronaves de busca nesta madrugada", afirmou.

 

Fernando de Noronha

 

O aeroporto do arquipélago de Fernando de Noronha passou a funcionar a partir de segunda em estado de prontidão. Normalmente, seu funcionamento é das 8 às 20 horas. Mas, diante do desaparecimento, um funcionário permanecerá de plantão e outros 14 poderão ser acionados a qualquer momento, caso haja necessidade.

 

O gerente de operações do aeroporto, Carlos Gouveia, explicou que, por enquanto, o terminal será utilizado para o abastecimento de aeronaves. Ele poderá se tornar a base dos aviões da FAB apenas se for confirmado que os destroços do Airbus estejam localizados até um raio de 500 quilômetros.

 

Ajuda internacional

 

A aeronave também é procurada por quatro navios mercantes que circulam por aquela área do Oceano Atlântico. A pedido da Marinha brasileira, os navios mercantes Lexa Maersk, Jo Cedar, Ual Texas e Stolt Inspiration foram contatados via satélite e começaram sua busca.

 

Um avião da Força Aérea Francesa, o Atlântico 2 trabalha a partir de uma base francesa de Dacar, no Senegal, e faz o sentido contrário da rota do voo 447, da Air France. Esse avião foi o primeiro do lado europeu a fazer esse percurso após o desaparecimento da aeronave.

 

Os espanhóis também estão ajudando nas buscas e mandaram um avião da Guarda Civil e um Focker que pertence ao Serviço Aéreo de Resgate da Aeronáutica, com base no arquipélago das Ilhas Canárias. O avião de reconhecimento da Guarda Civil partiu da capital senegalesa, onde participa de um programa de prevenção à imigração ilegal na Europa, informou um porta-voz do Ministério de Interior espanhol. Já o Foker, viaja a Cabo Verde para se juntar à busca pela aeronave da Air France.

 

O vice-chefe do centro de comunicação social da Aeronáutica, coronel Jorge Amaral, informou que a Força Aérea Americana se colocou à disposição para ajudar nas operações de busca.

 

Voo 447

 

O voo 447 levava 126 homens, 82 mulheres, 7 crianças e um bebê, além dos 12 tripulantes - 3 tripulantes técnicos e 9 comissários. Segundo a companhia, a aeronave entrou em funcionamento em 2005 e recebeu manutenção pela última vez em 16 de abril deste ano. O acidente é o mais grave da história da empresa, caso não sejam encontrados sobreviventes. O avião deveria ter chegado a Paris às 11h (6h, horário Brasília), mas perdeu o contato.

 

Segundo a relação divulgada pela Air France, dos passageiros do Airbus desaparecido, são 61 franceses e 58 brasileiros. Porém, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a Polícia Federal apurou que 52 brasileiros estavam no voo - mais tarde alteraram o número para 57 -, e muitos desses passageiros têm dupla nacionalidade - brasileiros com naturalidade francesa e vice-versa -, o que dificulta o trabalho de checagem na lista de passageiros, que está sendo feito com ajuda da Polícia Federal.

 

Além disso, viajavam 26 alemães, nove italianos, seis suíços, cinco libaneses, quatro húngaros, três eslovacos, três noruegueses, três irlandeses, dois americanos, dois espanhóis, dois marroquinos e dois poloneses. Havia também um cidadão de cada um dos seguintes países: África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Islândia, Estônia, Gâmbia, Holanda, Filipinas, Romênia, Rússia, Suécia e Turquia. Ainda não há previsão para a divulgação da lista com o nome dos passageiros.

 

Causas

 

A investigação das causas do acidente foi entregue ao Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA), da França. Os motivos para o desaparecimento do Airbus A330 da Air France seguem desconhecidos.

 

A Air France fez um relato das horas seguintes a sua decolagem do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, às 19h (Brasília). Segundo a companhia, o avião atravessou uma zona de tempestades e turbulências fortes que poderiam ter afetado seus circuitos elétricos. Durante o voo, a 1.228 quilômetros de Natal, a aeronave informou perda de pressurização. O diretor de comunicação da companhia, François Brousse, declarou que também é possível que o avião tenha sido atingido por um raio.

 

Outra possível causa é a condição climática da região onde o avião teria desaparecido. Trata-se da chamada zona de convergência intertropical, onde há a formação de muitas áreas de instabilidade, com raios e tempestades. De acordo com a meteorologista da Climatempo, Fabiana Weykamp, esta hipótese não pode ser descartada, mas ela destaca que esta zona de convergência intertropical é muito conhecida de pilotos e companhias aéreas. Portanto, esta instabilidade da região seria levada em conta no plano de voo da aeronave da Air France.

 

A falta de explicações para o acidente obrigou o diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, e o ministro da Ecologia e dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo, a admitirem, ainda na noite de ontem, que a hipótese de ato terrorista não está sendo ignorada. "Nada pode ser descartado", afirmou Borloo. Embora o Brasil não seja alvo de ações terroristas, a França é, constantemente, objeto de ameaças provenientes de grupos islâmicos extremistas.

 

Mesma opinião foi manifestada pelo ministro da Defesa francês, Herve Morin. "Não podemos descartar um ato terrorista já que o terrorismo é a maior ameaça às democracias ocidentais, mas nesse momento não temos qualquer elemento indicando que tal ato tenha causado esse acidente", afirmou à rádio Europe 1, segundo a Reuters.

 

Veja os contatos feitos pela aeronave:

 

- 19h30 (horário de Brasília) - a aeronave decolou do Aeroporto do Galeão

  

- 22h33 (horário de Brasília) - a aeronave realizou o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III), na posição INTOL que está localizada a 565 quilômetros de Natal (RN). Neste ponto, a aeronave informou que ingressaria no espaço aéreo de Dakar, a 1.228 quilômetros de Natal, às 23h20 (horário de Brasília).

  

- 22h48 (horário de Brasília) - a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta III, de Fernando de Noronha. As informações indicavam que a aeronave voava normalmente a 35.000 pés (11 quilômetros) de altitude e a uma velocidade de 453 KT (840 quilômetros por hora).

  

- 23h20 (horário de Brasília) - este era o horário estimado para o novo contado da aeronave, o que não aconteceu. O Cindacta III informou a falta de contato ao Controle Dakar.

 

 - 02h30 (horário de Brasília), desta segunda-feira (dia 1º), o Salvero Recife acionou os meios de busca da Força Aérea Brasileira (FAB), com uma aeronave C-130 Hércules e uma P-95 Bandeirante de patrulha marítima, além do Esquadrão aeroterrestre de Salvamento (PARASAR).

  

- 8h30 (horário de Brasília), desta segunda-feira (dia 1º) - a Air France informou ao Cindacta III que a aproximadamente 100 quilômetros da posição Tasil, a 1.228 quilômetros de Natal, o voo 447 enviou uma mensagem para a companhia informando problemas técnicos na aeronave (perda de pressurização e falha no sistema elétrico).

 

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