Quatro famílias disputam hegemonia política em Alagoas

Collor, Lessa e Vilela concorrem a governador, em eleição imprevisível e Renan tenta montar maior bancada de todos os clãs

, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

Entre os clãs que fatiaram Alagoas por setor da economia e região de influência, quatro buscam hegemonia de poder. Três deles disputam o governo do Estado: um comandado pelo ex-presidente Fernando Collor (PTB), que controla o maior complexo de comunicação do Estado, outro pelo ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), que já foi governador duas vezes, e o terceiro pelo atual governador, o usineiro Teotônio Vilela Filho (PSDB). Os três estão tecnicamente empatados nas pesquisas e a eleição é indefinida.

Apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como aliado estratégico do governo no Congresso, o senador Renan Calheiros (PMDB) tem chance de bater os rivais. A família, na verdade, têm opção para todos os gostos. Além de Renan, para o Senado, o clã lançou o filho dele, Renan Filho, para deputado federal e Olavo, irmão do senador, para deputado estadual. Eleitos, eles vão formar a maior bancada familiar entre os clãs alagoanos.

Além de Remi, prefeito de Murici, a família já tem outro irmão de Renan, o ex-deputado Renildo Calheiros (PC do B), na Prefeitura de Olinda, em Pernambuco, desde 2008. "Estamos tranquilos, a família nunca esteve com prestígio tão em alta", disse Remi. "Tudo indica que vamos eleger os três com folga."

Renan Filho era prefeito de Murici, mas, seguro da vitória para a Câmara dos Deputados, renunciou ao cargo sem temor, até porque a prefeitura ficou nas mãos do tio Remi, que era o vice. Remi já foi prefeito de Murici duas vezes antes e controla com domínio total o feudo político montado pela família na cidade e arredores. Em cada curral da região, caracterizada por miséria social e imensas plantações de cana, há usinas de votos de cabresto como esse flagrado na casa dos Calheiros.

Os nomes e números dos candidatos preenchidos nas colas variam conforme a composição com o cacique local. Por exemplo: em Branquinha, cidade mais arrasada pelas enchentes, a 20 quilômetros de Murici, a prefeita Ana Renata Moraes (PMDB) apoia Teotônio Vilela ao governo e não Ronaldo Lessa, o preferido do clã Calheiros. Para os eleitores de lá, o santinho traz a opção que agrada a líder local.

O mesmo ocorre com nomes que disputam nas vizinhas Santana do Mundaú, São José da Laje e União dos Palmares, todas arrasadas pelas enchentes de junho. Em alguns casos, a família rifou o nome de Olavo na cola, para não abrir mão do voto de um cacique vizinho nos demais. A meta da família é emplacar no futuro um Calheiros no Tribunal de Contas do Estado, órgão que fiscaliza as contas públicas, onde os demais clãs já estão representados.

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