Quatro marcas de água em galão reprovam em avaliação do Proteste

Reprovação ocorreu por riscos de contaminação; empresas contestam

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2010 | 22h24

Avaliação realizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) constatou resultado preocupante na água de galões de 20 litros. No mais recente estudo do órgão, quatro das 16 marcas analisadas foram reprovadas por riscos de contaminação, além de problemas nos rótulos. As empresa contestaram o estudo - veja abaixo.

A avaliação do Proteste apurou problemas nos rótulos. Apenas seis marcas informavam sobre a validade após a abertura do galão. Mas o mais preocupante é a qualidade da água que consumimos - apesar de todas serem consideradas potáveis.

 

 

A presença de micro-organismos e bactérias foram constados nas marcas Água da Pedra, Crystal-Fonte Del Rey, Fonte Ijuí-Levíssima e Mata Atlântica.

 

 

Em um dos lotes da marca Mata Atlântica, o Proteste encontrou nitrito além do limite. O lote registrava, segundo o estudo, nível 72 vezes que o limite para esse contaminante. A marca Indaiá ficou no limite da legislação.

 

 

Nas marcas Água da Pedra e Fonte Ijuí - Levíssima, o órgão detectou a presença de uma bactéria chamada Pseudomonas, cuja contaminação pode ocorrer tanto na fonte quanto nos equipamentos usados desde a captação da água até o envase.

 

 

Por último, foi identificado em um dos lotes da Crystal - Fonte Del Rey contaminação por coliformes totais - que indicaria, segundo Proteste, falhas nas condições de higiene durante os procedimentos de limpeza, captação e embalagem. 

 

 

Segundo a bióloga Fernanda Ribeiro, pesquisadora do Proteste, os resultados serão encaminhados às empresas para que elas tomem medidas necessária. “Isso provavelmente é fruto de uma falha nos processos de envase, esses produtos não devem estar no mercado.”

 

 

O Proteste não divulga o laboratório em que são realizados as análises. Segundo o órgão, essa é a forma de manter a independência dos testes.

 

 

O professor da Faculdade de Saúde Pública da USP José Luiz Mucci afirmou que, em todos os casos, os riscos de doença não são altos, mas a presença das substâncias demonstram impureza do produto. “Isso não deveria estar lá, provavelmente faltou cuidado com o manuseio”,  diz ele. “O Pseudomona é o único que é um patogênico, um organismo de veiculação hídrica que pode causar diarreia e desconfortos”, diz ele. O excesso de nitrito no organismo pode causar a metahemoglobinemia (chamada de "síndrome do bebê azul") em recém-nascidos e mesmo em adultos com deficiências enzimáticas.

 

 

As marcas que aprovadas foram a Baviera de São Lorenço, Santa Catarina, Cascataí, Superlev, La priori, Imperatriz, Nova Friburgo, Ouro Fino, Lindóia, Mil Fontes, Serra dos Órgãos e Indaiá.

 

 

As empesas

As empresas fabricantes das marcas reprovadas contestam a validade dos testes e ainda colocaram os laudos comprobatórios à disposição. A Crystal-Fonte Del Rey afirmou que a presença indicada pelo órgão não significa que exista contaminação. “Pode ser indicativo de falha no processo de analise da amostra, já que em outras duas amostras analisadas segundo a ProTeste deram resultados perfeitos”, diz a nota. A Crystal-Fonte Del Rey afirma que possui laboratório próprio, credenciado pela Vigilância Sanitária (Anvisa), onde realiza análises diárias de toda água, além de análises mensais pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

 

 

A Fonte Ijui Lebvíssima comunicou que a rastreou os laudos obtidos interno e externamente, que, segundo eles, a água está de acordo com os parâmetros da Anvisa. De acordo com a empresa, as análises são realizadas semanalmente em laboratório interno e trimestralmente em laboratório externo.

 

 

A produtora da marca Mata Atlântica justifica que possui certificados de comprovação da qualidade e pureza do seu produto, que são emitidos periodicamente por órgão regulador, laboratório Oficial LAMIN, responsável por atestar a classificação Mineral da Água. A empresa afirma que possui ainda laudo de acompanhamento periódico externo, do Instituto Adolpho Lutz, e do Laboratório Hidrolabor.

 

 

A emrpesa produtora da marca Água da Pedra informou que é certificada em Boas Práticas de Fabricação (BPF) e APPCC (Análise dos Perigos e Pontos Críticos de Controle) desde 2008.

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