Quatro morrem pisoteados e 18 ficam feridos durante rodeio

Vítimas sofreram parada cardiorrespiratória quando ocorreu o tumulto; bombeiros não foram chamados e Justiça suspendeu o evento, incluindo show de Roberto Carlos, hoje

Felipe Oda, O Estadao de S.Paulo

24 de maio de 2009 | 00h00

Quatro pessoas morreram e 18 ficaram feridas ontem de madrugada, após um tumulto durante o show da dupla sertaneja João Bosco & Vinícius, no Festival de Rodeio de Jaguariúna, na Região Metropolitana de Campinas, no interior do Estado. As estudantes Vivian Montagner Contrera, de 18 anos, Giovana Peretti, de 28, Andréa Paola Machado de Carvalho, de 19, e o representante comercial Ariel Toroni Avelar, de 19, foram pisoteados pela multidão e tiveram parada cardiorrespiratória. Apesar do socorro das equipes médicas do evento, eles morreram ao serem atendidos no Hospital Municipal Walter Ferrari.Por causa da tragédia, o juiz Fabrício Reali Zia, do Fórum de Amparo, acatou um pedido do Ministério Público de Águas de Lindoia e suspendeu os dois últimos dias do evento. Estavam programadas as apresentações da dupla Victor & Léo, ontem, e do cantor Roberto Carlos, hoje, no encerramento do festival. Até 20 horas, a Red Eventos, responsável pelo festival, não havia informado se recorreria da decisão ou devolveria o valor dos ingressos.De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a confusão começou num dos corredores de acesso ao palco, por volta das 2 horas, quando um grupo de pessoas tentava entrar e outro procurava sair do show. "Parecia um dominó. As pessoas foram caindo umas por cima das outras", conta a estudante Stela Ribeiro de Paula, de 23 anos. Ela e o namorado, Eduardo Alves, de 28, foram pisoteados no show e ficaram 40 minutos "soterrados" pela multidão. O casal reclama da falta de organização do evento."Não vi briga, mas empurra-empurra", diz o professor de educação física.No meio da multidão, Alves viu Stela tropeçar e cair. "Duas mulheres caíram na minha frente e eu também. Depois o Eduardo caiu sobre as minhas costas. Não conseguia me mexer", diz a estudante. Alves afirma que algumas pessoas tentavam ajudá-los, mas a maioria, não. "Foi sufocante. Não conseguia me erguer porque era pisado. Pisaram na minha cabeça, nas costas... Foi desesperador", recorda.Cerca de 26 mil pessoas estavam presentes no local. Quem participou da apresentação da dupla sertaneja afirmou que, em determinado momento, "os músicos chegaram a anunciar público recorde", conta Cláudio Baldiotti Filho, de 26 anos. A Red Eventos, que organiza o rodeio há 21 anos, destacou em nota oficial que tem alvará de funcionamento para até 30 mil pessoas e ressaltou desconhecer o motivo do tumulto. Uma comissão com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e do Corpo de Bombeiros investigarão as causas do acidente. PREFEITURA"Os shows foram cancelados por uma medida de solidariedade e respeito às vítimas e aos parentes", disse o prefeito de Jaguariúna, Gustavo Reis, que esteve no hospital de madrugada e questionou a ausência da PM dentro do evento. "Em 20 anos, ela sempre esteve presente. Neste ano, infelizmente, não." Procurada, a PM informou que a segurança caberia aos organizadores. O socorro, segundo a polícia, foi prestado por funcionários da empresa particular e ambulâncias da prefeitura. A cidade de Jaguariúna não dispõe de um posto militar de bombeiros e depende do atendimento das equipes de resgate de Campinas, a 20 km de distância. O Centro de Operações dos Bombeiros de Campinas afirma que nenhuma equipe foi solicitada pelos bombeiros civis de Jaguariúna.

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