Quatro nomes ganham força na lista dos papáveis

Candidatos mais citados por analistas são 2 italianos, 1 austríaco e 1 canadense; não há brasileiros favoritos

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2013 | 10h50

Dois cardeais italianos, um austríaco e um canadense aparecem com quase unanimidade na lista dos papáveis. São o arcebispo de Milão, Angelo Scola, de 71 anos, o presidente do Pontifício Conselho da Cultura, Gianfranco Ravasi, de 70, o arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, de 68, e o prefeito da Congregação para os Bispos, Marc Ouellet, de 68.Essa relação é especulação de especialistas que buscam o perfil ideal do próximo líder da Igreja.

Os cinco cardeais brasileiros que participarão do conclave não falam em nomes, mas trocam informações para as reuniões que terão com outros eleitores em Roma. E aguardam novidades que o papa pode introduzir no mecanismo do conclave, o motu próprio (documento de iniciativa própria), que deverá publicar antes do dia 28.

Se Bento XVI apontar um nome, sua sugestão terá peso enorme, sobretudo entre os 67 cardeais que nomeou. Se o papa tem um preferido, deve ser o cardeal Scola, arcebispo de Milão, a segunda arquidiocese mais importante, depois de Roma. Nomeado patriarca de Veneza em 2002, foi inesperadamente transferido para Milão, em 2011.

"Scola é ligado ao movimento Comunhão e Libertação e, por isso, teria o apoio de Bento XVI, que em 1985, quando era o cardeal Ratzinger, disse que os movimentos apostólicos estavam salvando a Igreja", observou o teólogo e historiador padre José Oscar Beozzo. Scola tem perfil conservador e poderá ser eleito se os cardeais quiserem a continuidade da linha de Bento XVI.

Ravasi não tem a experiência pastoral de outros concorrentes, mas tem outras qualidades. "No quadro geral, é o mais preparado do ponto de vista intelectual e, um pouco como Ratzinger, tem a paixão do ensino", disse Beozzo. "Ravasi vai entrar no conclave como candidato de uma negociação mais ampla para unir as várias facções", acrescentou padre Márcio Fabri, professor do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo.

Outro nome de peso é Ouellet, que era arcebispo de Québec quando foi nomeado, em 2010, prefeito da Congregação para os Bispos e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina. Relacionado entre os papáveis em 2005, no conclave que elegeu Bento XVI, Schönborn segue no páreo. É um bom teólogo e redigiu o Catecismo da Igreja Católica, publicado pelo papa João Paulo II em 1992.

Seria surpreendente ser escolhido um cardeal da América Latina, da África ou da Ásia. Não há brasileiros entre os papáveis, a não ser que, como disse o cardeal Aviz, considere-se que todos os participantes do conclave são candidatos. Sobressai, no entanto, o nome do arcebispo de São Paulo. "Se os eleitores optarem por um papa não europeu ou por alguém fora da Cúria Romana, d. Odilo tem boa chance, porque é preparado e bem alinhado com Roma", disse Beozzo.

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