Reprodução Google Maps
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Quatro pessoas são presas em ação no camelódromo no centro do Rio

É investigada participação de milícia no centro comercial

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2018 | 10h50

RIO - A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (DRACO/IE) prendeu na manhã desta terça-feira, 15, quatro pessoas acusadas de participar de uma organização criminosa que explora irregularmente boxes no camelódromo da Rua Uruguaiana, no centro do Rio, e de praticar extorsões. Também há indícios de que boxes foram comercializados por R$ 30 mil - a venda é proibida pela prefeitura. É investigada associação com milícia. 

Um comerciante procurou a delegacia denunciando que foi cobrada dele uma taxa de R$ 5 mil para ter o boxe, além de uma outra, de R$ 120 por mês (R$ 30 por semana), a título de manutenção do espaço comum. O centro de comércio popular é localizado no coração da região central, área de enorme circulação de pessoas e de venda de produtos de baixo preço, como eletrônicos, roupas e acessórios para celular - parte dos itens, contrabandeado. 

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"Ainda não temos prova concreta de participação de milícia, seria prematuro afirmar. Esse é o primeiro passo. Não havia interesse da associação apenas de administrar, mas também de auferir lucro. E existe uma forma de coação, fechando boxes de quem não paga. É uma ação policial que nunca foi desenvolvida aqui", afirmou o delegado Alexandre Herdy.

Os mandados foram expedidos pela 36ª Vara Criminal da Capital contra o presidente da associação de comerciantes, o vice-presidente, o chefe da segurança e outros dois integrantes. Todos foram presos, à exceção do chefe da segurança, Sidney Nascimento dos Santos, o Grande, que não foi encontrado. A equipe da Draco foi para as ruas às 6 da manhã e cumpriu os mandados na capital e arredores. Foram apreendidos documentos da associação.

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O presidente da entidade, João Lopes do Nascimento, um dos comerciantes fundadores do camelódromo e há dois anos na função, negou qualquer irregularidade. "Cobramos taxa associativa de manutenção para luz, água, limpeza, mas só 30% deles pagam. É uma única cobrança. Ninguém foi ameaçado", declarou à imprensa ao ser preso. 

Comerciantes ouvidos pelo Estado disseram que a taxa semanal é justa, porque arca com custos de segurança (eles temem que boxes sejam roubados de madrugada) e limpeza. Eles contaram que luz e água são pagos à parte. Todos negaram que há milicianos no local.

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A Draco investiga os crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, extorsão, venda de boxes por permissionários, além de venda e locação de espaços públicos. Os boxes funcionam há mais de 20 anos num terreno entre a Avenida Presidente Vargas e a Rua Uruguaiana onde no passado havia um estacionamento. Os comerciantes são permissionários. À época da instalação do camelódromo, eles foram sorteados pela prefeitura, e ficou proibido o repasse de boxes.

O comerciante que denunciou o esquema à Draco disse que comprou nove boxes e que depois eles foram fechados pela associação. Os R$ 5 mil exigidos para que voltassem a funcionar foi cobrado para cada boxe, de modo que o montante somou R$ 45 mil. No dia 19 de abril, a prefeitura realizou uma ação no local e demoliu boxes construídos de forma irregular.

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