Quatro PMs são transferidos de Paraisópolis

Para o Conseg do Morumbi, mudança é uma vitória do tráfico

Marici Capitelli, O Estadao de S.Paulo

11 Fevereiro 2009 | 00h00

Quatro policiais militares envolvidos na morte do foragido Marcos Porcino - o que pode ter originado o confronto na Favela de Paraisópolis, na zona sul, há nove dias - foram transferidos para outras companhias. A Polícia Militar afirma que a medida garante a segurança dos profissionais que atuavam na 6ª Companhia do 16º Batalhão. Moradores da área nobre do Morumbi reprovaram a medida. Entendem que a saída deles foi uma vitória do crime organizado. O sargento Anderson Luiz Ferreira de Souza e os soldados Fabiano dos Santos e Raimundo Reis Júnior foram transferidos anteontem. Ontem, foi a vez do soldado Ubiratan Gomes Ferreira. Pessoas ligadas a eles dizem que os PMs se sentiram injustiçados. Todos estiveram diretamente envolvidos na ação de 1º de fevereiro dentro da favela que resultou na perseguição e morte de Porcino e na prisão por porte ilegal de arma de Antonio Galdino de Oliveira, cunhado do detento Francisco Antônio Cesário da Silva, de 32 anos, o Piauí, membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e líder do tráfico na região. De acordo com a PM, a transferência se deu para a preservação da segurança dos policiais. "Não houve ameaça direta a eles, mas como tiveram os nomes muito expostos, fizemos essa movimentação", afirmou o capitão Emerson Masseira, porta-voz da corporação. Integrantes do Conselho de Segurança Comunitária (Conseg) do Portal do Morumbi entendem que a saída dos policiais foi uma vitória do tráfico. Afirmam que esses quatro policiais faziam um trabalho eficiente de segurança e do combate ao tráfico. "Dá a entender que é uma vitória do crime organizado", disse um participante do Conseg. O advogado Luiz Carlos Justino, que diz defender as "pessoas de bem e a facção", levou até a Corregedoria da PM 20 pessoas. Essas testemunhas depuseram contra os policiais, alegando que eles aterrorizavam, espancavam e achacavam a comunidade. Entre os depoentes, estariam pessoas ligadas ao PCC. "Esses policiais são uns assassinos. Eles achacavam a comunidade tirando celulares e abrindo as carteiras das pessoas que revistavam de maneira arbitrária", disse. O presidente da Associação de Moradores de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, é mais cauteloso. "Se a PM fez as transferências é porque achou necessário. Não estavam cumprindo adequadamente o papel deles."

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