Quatro são indiciados por roubo de armas do exército

O Inquérito Policial Militar (IPM) referente ao roubo das armas do Estabelecimento Central de Transporte (ECT) foi encaminhado pelo Exército à Justiça Militar nesta segunda-feira, exatamente um mês depois da invasão do quartel. Segundo informou o Ministério Público Militar (MPM), quatro pessoas foram indiciadas: os dois ex-militares já presos, o sargento da ativa que foi preso e liberado em seguida e um civil. As investigações mostram que os criminosos esperavam vender os dez fuzis FAL 7.62 a traficantes por cerca de R$ 13 mil, cada um.Os bandidos esperavam lucrar em torno de R$ 160 mil pelo repasse dos fuzis e da pistola calibre 9 mm que levaram - e que acabaram sendo recuperadas doze dias depois. Além dos quatro indiciados, há ainda um quinto integrante do grupo, que levou os criminosos de carro até lá. Ele é o único ainda não identificado pelos investigadores. O veículo usado foi roubado um dia antes do crime pelo ex-cabo Joelson Basílio da Silva, que confessou ser o mentor do crime em depoimento. O dono do automóvel reconheceu o ex-militar.Além de Silva, foram indiciados o ex-soldado Carlos Leandro de Souza, também preso, o sargento Humberto Freire e um civil já identificado (o nome não está sendo divulgado). Os ex-militares e o civil foram enquadrados pelo roubos das armas. Já o sargento seria responsabilizado, a princípio, por ter sido negligente com as normas de segurança do quartel, informou o MPM. Os promotores deverão receber o IPM até o fim da semana e terão cinco dias para apreciá-lo e decidir se irão oferecer denúncia contra os indiciados.O planoA ação foi cuidadosamente planejada. O ex-soldado Souza foi o primeiro a atacar. Ele entrou por um terreno baldio e rendeu a sentinela do ECT que fazia a guarda na guarita, a oito metros de altura, de onde se tem visão total do quartel. Tomou-lhe o fuzil. Souza então ligou de seu telefone celular para Silva. O ex-cabo e o civil já identificado entraram no ECT, pulando um muro, e renderam dois militares. Digitais de Silva foram encontradas no muro. O outro civil continuou no carro, à espera dos demais.Eles seguiram para abordar o corpo da guarda, grupo do qual o sargento fazia parte. Entraram por um portão deixado aberto por Freire, conforme o próprio confessou ao ser interrogado (ele não explicou o por que o fez). O sargento foi agredido e ficou desacordado (ainda não se sabe se fingiu ou se estava mesmo desmaiado). O bando, que usava roupas camufladas do Exército e toucas ninja, só saiu da unidade depois de levar todas as armas que estavam com os militares e as que se encontravam guardadas numa sala. Um tiro chegou a ser disparado. Isso porque um dos militares, que estava descansando no momento da invasão, achou que os homens estavam brincando. Os invasores atiraram para o alto para deixar clara sua intenção.

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