Quatro são presos sob acusação de pedofilia

Crianças reconheceram suspeitos de integrar grupo que molestou 24 menores; médico que também teria assediado vítimas é investigado

Chico Siqueira, CATANDUVA, O Estadao de S.Paulo

27 Fevereiro 2009 | 00h00

Depois de passarem por sessões de reconhecimento com dez crianças, quatro pessoas foram presas ontem em Catanduva, a 385 km de São Paulo, acusadas de participar de uma rede de pedofilia que abusou de 24 crianças pobres dos bairros Jardim Alpino e Cidade Jardim. Segundo a delegada Rosana Vanni, responsável pelo caso, as prisões temporárias são do vendedor William Melo Souza, de 19 anos, e do operário Eduardo de Aquino, também de 19. Dois adolescentes de 16 e 17 anos também foram recolhidos. Eles seriam responsáveis por levar as crianças para a casa do borracheiro José Barra Nova de Melo, de 46 anos, preso desde 15 de janeiro e conhecido como Zé da Pipa. Souza, que é sobrinho do borracheiro, foi reconhecido por oito crianças. Até então, William era denunciado por ajudar o tio.O operário foi reconhecido por uma criança como sendo o motociclista que a levou à mansão de um médico acusado de pedofilia. Nesta casa, as crianças dizem que eram filmadas e molestadas. A delegada informou que nesta sexta-feira haverá um processo de reconhecimento na mansão. O dono, um endocrinologista especializado em obesidade infantil, não foi reconhecido pelas dez crianças ontem. Elas disseram, mais tarde, que o médico, como os outros acusados, teria mudado a aparência com novos cortes, com tintura e outro penteado de cabelo. Segundo a delegada, um reconhecimento fotográfico ainda poderá ser feito. DENÚNCIASO reconhecimento estava marcado para as 9h30, mas só começou às 14 horas e terminou por volta das 15h30. Os oito suspeitos - um empresário, um médico, um comerciante, dois adolescentes, um motorista, um operário e o vendedor, foram colocados numa sala para observação das crianças, que ficavam atrás de vidros. As mães das crianças foram proibidas pela polícia de acompanhá-las no reconhecimento. Os advogados da OAB foram embora antes desse processo. Apenas um representante do Juizado de Menores e o promotor da Infância e da Juventude, Antonio Bandeira Neto, acompanharam o reconhecimento. Neto saiu sem dar entrevista e o representante do Juizado, Antonio Bernardes de Souza, disse que tudo transcorreu "com calma e transparência".No entanto, mães e crianças disseram que os acusados foram favorecidos pelo medo das crianças, que estavam desacompanhadas, e pela liberdade em mudar a aparência para a sessão de reconhecimento. "Um deles foi até de touca; outros rasparam, tingiram ou mudaram o corte de cabelo", disse uma das crianças, de 8 anos, uma das principais testemunhas do caso. "Levadas sozinhas para a sessão, algumas crianças, comprovadamente vítimas dos pedófilos, não conseguiram fazer o reconhecimento de todos", ressaltou uma das mães.

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