Quebra de sigilo de Abel mostra 9 ligações para a Planam

A CPI dos Sanguessugas já encontrou o registro de pelo menos nove ligações telefônicas do empresário Abel Pereira para a Planam, principal empresa de Luiz Antônio e Darci Vedoin. Abel está sendo investigado pela Polícia Federal por supostamente ser o elo da máfia das ambulâncias superfaturadas com integrantes do PSDB. A PF investiga se Abel operou em 2002 como lobista dos sanguessugas no Ministério da Saúde, na gestão do tucano Barjas Negri.Os técnicos da CPI encontraram as nove ligações ao examinar os dados da quebra do sigilo telefônico das empresas dos Vedoin, feita em agosto. As chamadas foram, em geral, muito curtas. Mas pelo menos uma durou mais de 11 minutos. Todos os telefonemas foram feitos por Abel para a Planam entre 23 de dezembro de 2002 e julho de 2003. A maior parte ocorreu em datas próximas ao período em que os Vedoin dizem ter feito depósitos em cheques como pagamento a Abel pelo suposto trabalho de intermediação no Ministério da Saúde.A PF já tem as cópias de 15 cheques que teriam sido usados pelos Vedoin para pagar a ajuda de Abel. Nenhum foi emitido diretamente para Abel ou alguma de suas empresas. Luiz Antônio Vedoin disse ter feito pagamentos em favor de empresas que Abel teria indicado. Esses cheques somam R$ 601 mil e, segundo fontes da PF, teriam sido emitidos pela Klass, outra empresa dos Vedoin, de dezembro de 2002 até os primeiros meses de 2003. A ligação mais longa detectada pela CPI foi em 28 de dezembro de 2002 e há registros de cheques emitidos dia 30.Por meio de seu advogado, Eduardo Silveira Mello Rodrigues, Abel tem negado envolvimento com as irregularidades e a máfia das ambulâncias. Também nega que tenha funcionado alguma vez como intermediário dos Vedoin nas negociações com o Ministério da Saúde.A relação de Abel com os Vedoin se transformou num dos fatos mais polêmicos desta campanha. O dossiê que seria comprado pelos dois petistas que foram presos em setembro teria informações sobre o suposto envolvimento da máfia com políticos tucanos, como Barjas Negri e o agora governador eleito de São Paulo, José Serra. Abel seria citado no dossiê como o intermediário no ministério.

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