Paulo Liebert / AE
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Quebra de sigilo favorece a polarização, diz Marina

Para candidata do PV, violação de dados deve ser punida, mas não pode servir para candidatos se fazerem de vítimas

Beth Moreira, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, afirmou ontem que a quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB deve servir de alerta aos brasileiros. "Mostra que temos um pé de barro na gestão pública", afirmou, evitando opinar se o caso tem poder para desestabilizar a candidatura de Dilma Rousseff (PT) e levar as eleições para o segundo turno.

Durante passagem por São Paulo, onde gravou programa de TV para o horário eleitoral, Marina lembrou que não só pessoas ligadas ao PSDB, mas milhares de pessoas tiveram seu sigilo violado, o que considera um desrespeito ao cidadão brasileiro.

"Se isso teve finalidade política, é grave", criticou. "Se não teve, se é um descontrole, um desmando geral, é gravíssimo e precisa de uma atitude correta por parte de todos os agentes públicos e, principalmente, daqueles que têm a responsabilidade de esclarecer, punir e investigar um fato como esse."

Questionada se a confirmação de que as pessoas envolvidas na quebra de sigilo são filiadas ao PT não caracteriza a intenção político-eleitoral, a candidata do PV afirmou que o envolvimento de pessoas ligadas a partidos só faz com que aumente a necessidade de investigação do caso. "Sendo ou não fato político, precisa de punição", observou, acrescentando que o assunto não pode ser banalizado porque representa um desrespeito à sociedade brasileira e às instituições públicas. "Acho que uma investigação precisa ser feita, não apenas pelo interesse conjuntural da eleição, mas pelo respeito ao bom funcionamento das instituições e da gestão pública de qualidade."

Polarização. Marina avaliou ainda que o debate do caso entre Dilma Rousseff PT) e José Serra (PSDB) polariza o cenário eleitoral. "Eu diria que esse é o pior dos mundos. As discussões estão indo para um caminho que não é discutir o que interessa ao Brasil, interessa para alguém ganhar as eleições, se fazer de vítima, ganhar a simpatia do eleitor." Afirmou ainda que prefere que o eleitor faça sua escolha olhando para a trajetória, a visão de mundo e as propostas de cada candidato. "Foi com isso que eu cheguei aos 10% (de intenção de voto), com uma política séria que quer discutir o Brasil", declarou.

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