Quebrado sigilo telefônico de pessoas ligadas a Ubiratan

O juiz Richard Chequini, do 1º Tribunal do Júri, decretou nesta sexta-feira, 15, a quebra do sigilo telefônico de oito pessoas ligadas ao coronel Ubiratan Guimarães, morto no último fim de semana em seu apartamento nos Jardins, em São Paulo. Entre as pessoas que tiveram o sigilo quebrado, estão a namorada, a advogada, Carla Cepollina, a sua mãe, a também advogada Liliana Prinzivalli e o próprio coronel. A medida atinge 15 linhas, incluindo telefones fixos e celulares, e se restringe a ligações efetuadas entre os dias 1º e 12 de setembro deste ano. A pedido da polícia e do Ministério Público, também foi decretado segredo de justiça no caso. O juiz concedeu prazo de 60 dias para a conclusão das investigações. Com a quebra do sigilo, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) pretende confrontar as ligações entre as pessoas próximas ao coronel e confirmar o horário no qual elas ocorreram no sábado. A polícia quer também, com a quebra do sigilo, descartar a possibilidade do coronel ou outra pessoa ter atendido seus telefones depois das 20h30. Isso porque Carla sustenta que saiu do apartamento por volta desse horário, deixando o namorado vivo.TelefonemasPelas apurações de policiais do DHPP, Ubiratan e Carla chegaram ao apartamento por volta das 18 horas. Às 18h54, o coronel envia uma mensagem de texto para o celular da delegada federal Renata Madi com a seguinte frase: ´Menina, onde está você?´. Em seguida, ela responde, também com um torpedo: ´Tô chegando. Já ligo´.Sete minutos depois, às 19h01, Renata liga para o celular do coronel, conforme ela contou à Polícia Federal do Pará. Carla atende e passa o aparelho para Ubiratan, após supostamente tê-lo acordado. A delegada pergunta se ele havia mandado o torpedo. Como estava ao lado da namorada, Ubiratan teria negado e prometido ligar depois para Renata.A polícia acredita que a ligação tenha deflagrado uma intensa discussão entre o casal. Parentes e amigos do militar disseram que Carla é ciumenta. A mãe da advogada, Liliana, negou que a filha fosse exagerada: disse que ela gostava de Ubiratan de forma ´madura e equilibrada´.Entre 19 horas e 19h30, a professora de piano Odete Adoglio dos Santos, que mora no apartamento em frente do de Ubiratan, ouve o barulho do tiro. À polícia, ela disse não ter tomado nenhuma atitude porque confundiu o barulho.Às 20h05, Renata volta a chamar Ubiratan, dessa vez no telefone fixo. Carla atende e diz que o namorado não pode atender porque ambos estão discutindo. O telefone é colocado perto de um aparelho de som, que tocava ópera em alto volume.Meia hora depois, por volta das 20h30, Carla deixa o prédio dos Jardins. Às 21h06, ela chega ao edifício onde mora, no Campo Belo, zona sul. No caminho, ela pára em uma videolocadora, mas a máquina da loja estava quebrada no sábado e, por isso, não se sabe o horário exato em que ela esteve lá.Enquanto isso, Renata liga pelo menos mais cinco vezes para Ubiratan. O último registro da chamada da delegada em um dos celulares que pertenciam ao coronel é às 21 horas.PassaporteSegundo o delegado Armando de Oliveira Costa Filho, Carla decidiu entregar seu passaporte espontaneamente à polícia após o advogado Vicente Cascione, que representa a família do coronel Ubiratan no caso, declarar na quinta-feira que temia a fuga de Carla do País por ela ter cidadania italiana. O passaporte deve ser entregue pela mãe de Carla ao DHPP nesta sexta-feira.

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