Queda das Cataratas do Iguaçu pode trocar de nome

Patrimônio da humanidade, o principal conjunto de saltos das Cataratas do Iguaçu, conhecido como Garganta do Diabo, pode mudar de nome. Alguns religiosos da cidade não querem que essa denominação continue sendo veiculada por guias turísticos e em campanhas publicitárias. "As cataratas foram criadas por Deus em um momento de grande inspiração, por isso não é justo que se continue com o nome pelo qual são conhecidas", argumentou um dos líderes do movimento, o pastor Nélio Sander, da Igreja Evangélica Ceifa. O secretário de Turismo de Foz do Iguaçu, Sérgio Lobato Machado, prefere não emitir opinião sobre a questão, por isso voltou a convocar padres e pastores para uma reunião que deve acontecer segunda-feira, 23. Machado já tinha feito uma reunião esta semana. Segundo ele, mais de 200 líderes religiosos do Brasil e Argentina participaram do encontro. "Levei a conhecimento do prefeito e a sugestão é que seja feita uma pesquisa nacional", disse. A metodologia deve ser discutida na reunião de segunda-feira, para a qual também serão convidadas autoridades do setor de turismo. O secretário de Turismo confidenciou que foi pego "de surpresa" pela proposta de alteração do nome fantasia do conjunto de saltos. "Mas o assunto está palpitante", salientou. "A minha opinião será a da maioria da população", disse. Apelidos Segundo ele, os 273 saltos que formam as Cataratas do Iguaçu não têm um nome oficial, embora ao longo do tempo eles ganharam "apelidos". O salto principal das cataratas, onde se forma o véu, é conhecido oficialmente como Salto União, pois no meio dele passa uma linha imaginária que une o Brasil à Argentina. O pastor Sander relembra a lenda, segundo a qual, as quedas foram resultado do ódio de um deus-serpente, devido ao amor entre dois jovens índios de tribos diferentes. "Mas este é um atrativo belíssimo, criado pelo amor de Deus para que todos desfrutem", salientou. Ele propõe que Garganta do Diabo seja substituído por Voz de Deus, justificando que a Bíblia em várias citações afirma que a voz de Deus é como o som das águas. Segundo ele, a lenda pode continuar a ser contada, "mas é preciso dar a glória a quem merece a glória". O presidente regional da Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav) e do Convention Bureau, Felipe Gonzalez, disse que essa discussão é importante porque envolve toda a comunidade, o que contribui para o marketing do turismo. Para ele, a nomenclatura atual é folclórica. Ele defende que o ideal seria utilizar a denominação Salto União. "Não há necessidade de uma ação tão poderosa como estão fazendo, basta os guias e agentes passarem a usar a nomenclatura correta e contar a lenda", acentuou.

Agencia Estado,

20 Abril 2007 | 15h26

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