Queda de acidentes diminui no terceiro mês da Lei Seca

Nos dois primeiros meses, número de acidentes com vítimas caiu 13,6%, no terceiro mês, redução foi de 8%

Ítalo Reis e Lígia Formenti, estadao.com.br e O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2008 | 15h35

No terceiro mês de Lei Seca, o número de acidentes com vítimas fatais caiu em 8% nas rodovias federais, de acordo com balanço divulgado nesta segunda-feira, 22, pela Polícia Rodoviária Federal. No entanto, a tendência de queda é menor do que nos outros dois meses, que tiveram redução em 13,6%. Isso se deve, segundo a PRF, à falta de fiscalização no interior do Brasil, principalmente nas cidades pequenas.   Veja também Em 3 meses, 10 mil vítimas a menos nos hospitais   Enquete: você parou de beber e dirigir por causa da Lei Seca?  Os efeitos do álcool e os limites da Lei Seca   A Lei Seca, em números   Os números violência do trânsito de SP    "Boa parte dos pequenos municípios não têm estrutura para vigiar todos os motoristas, o tempo todo", disse o chefe da divisão de multas da Polícia Rodoviária Federal, Jerry Adriane Dias Rodrigues. Ele reconhece que quanto menor a fiscalização, maior o risco de a população desconsiderar a lei seca. "Embora os ganhos no primeiro bimestre tenham sido significativos, há sempre a tendência da pessoa retomar antigos comportamentos. Até que o novo hábito esteja definitivamente incorporado, é preciso garantir a fiscalização", completou.   Conforme informações da PRF, desde o início da vigência da lei, em 20 de junho, até o último sábado, foram registrados 33.497 acidentes nas rodovias federais, com quase 1,7 mil mortos e outros 18,7 mil feridos. No mesmo período de 2007, foram 30.835 acidentes, com pouco mais de 1,8 mil mortes e mais de 18,5 mil feridos. Foram 118 menos mortes.   "A frota brasileira aumenta de forma significativa. Além disso, já havia uma tendência do aumento do número de feridos. Se a Lei Seca não estivesse em vigor, a estimativa é a de que esse número fosse maior." Nos três primeiros meses de vigência da Lei Seca, cerca de 1,8 mil motoristas foram presos por dirigir embriagados. Ao todo, 2,8 mil foram autuados por dirigirem bêbados neste período.   A lei proíbe a venda de bebidas alcoólicas ao longo das rodovias federais. Dias Rodrigues observa, no entanto, que boa parte dos motoristas ingressa na estrada já sob efeito do álcool. "Ele bebe antes de iniciar a viagem, nas cidades", assegura. Justamente por isso, completa, é indispensável o reforço da fiscalização nos pequenos municípios.    Dias Rodrigues argumenta ainda que a proibição da venda de álcool nas estradas não tem o poder de evitar acidentes. Ele observa que acidentes ocorrem independentemente do uso da bebida. "O que muda é a gravidade do acidente e do risco de haver vítimas." Para Rodrigues, não basta que o número de equipes seja grande e constante. "A idéia é desenvolver um sistema em que grupos fiquem em locais onde há maior consumo de bebidas", completou.    Período de junho a setembro  2008  2007  Variação*  Acidentes  33.497  30.835  + 8,6%  Feridos  18.759  18.596  + 0,9%  Mortos  1.697  1.808  - 6,1%  Acidentes com mortos  1.351  1.469  - 8%  Acidentes com feridos  11.576  11.062  + 4,6%  Acidentes sem vítimas  20.570  18.304  + 12,4%  Pessoas socorridas  3.878  4.076  - 4,9%  Crimes de trânsito  2.868  1.542  + 86%   *Dados da Polícia Rodoviária Federal/PRF   Atualizado às 20 horas para acréscimo de informações

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