Queda de avião mata piloto e fere dois moradores

A queda do bimotor sobre uma casa na Rua Barão de Aguiar, próximo ao Aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), por volta das 20h30 desta terça-feira, deixou um morto e dois feridos, conforme divulgou a Defesa Civil. Depois de várias horas de apuração e muitas informações desencontradas, confirmou-se apenas a morte do piloto Alexandre Buchene, cujo corpo foi encontrado carbonizado no local.Segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), o avião vinha de Franca, no interior paulista. O piloto iniciou o pouso no aeroporto, arremeteu (tentou subir novamente) mas não conseguiu ganhar altura, caindo em seguida. De acordo com a Defesa Civil, o bimotor partiu com um único tripulante. "Só há um morto", confirmou no fim da noite o coronel Olavo Santana Filho. Dois moradores da casa atingida ficaram levemente feridos.O modelo Navajo ECO-820, de prefixo PT-EHL, levava malotes do Banco do Brasil. O valor transportado não foi revelado. Com capacidade para oito passageiros, o avião pertencia à empresa Oliveira e Silva, de São Paulo, e atingiu a fachada da casa de número 40. Os destroços caíram também sobre as duas casas ao lado. Um carro que estava na garagem pegou fogo.Os moradores da casa, Beatriz Vitor Athiê, de 57 anos, e o marido, Emílio Athiê, de 83, foram levados por vizinhos para o Hospital Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara.Ex-professor de cirurgia da Santa Casa, Athiê sofreu queimaduras leves no rosto, tórax e mãos. Ele estava deitado e a mulher fechava a casa para ir dormir quando o bimotor caiu.A mulher, que sofreu queimaduras leves nas mãos, contou ao chefe do plantão do hospital, Antonio Carlos Montanaro, que havia muito fogo e correu para socorrer o marido. Athiê inalou fumaça e sofreu uma queda ao deixar a casa.Cerca de 20 carros do Corpo de Bombeiros foram para o local. O engenheiro Guilherme Victor Cajado de Oliveira, de 30 anos, filho do casal ferido, chegou em casa 15 minutos depois do acidente. Encontrou a casa - onde mora com a mãe, o padrasto e a irmã - destruída.O policial militar Sérgio dos Reis Cândido foi o primeiro a chegar ao local. Ele fazia patrulhamento na Avenida Moreira Guimarães e viu quando o bimotor fez uma curva para a esquerda - o normal é para a direita.TorreO piloto de táxi-aéreo Durval Fantozzi, que já prestou serviço para a Oliveira e Silva, disse ter ouvido de outro piloto que o bimotor se preparava para pousar na cabeceira 35, mas a torre determinou que arremetesse, por excesso de tráfego aéreo.Segundo ele, o Navajo, de 22 anos de uso, tinha carga entre 700 e 900 quilos. Fantozzi afirmou que com essa carga, os flaps já baixos e pouca velocidade, a manobra de arremetida era muito arriscada. Ele negou a hipótese de que tivesse acontecido uma pane seca."Saí na janela, vi quando ele se inclinou, bateu com a asa num poste, foi para dentro da casa e houve uma explosão", disse o vendedor Ricardo Marceli, morador da rua. Fábio Ribeiro, de 26 anos, trabalha na área de carga expressa de uma companhia aérea em Congonhas e viu o avião passar por cima de sua sala. "Arremeteu, perdeu a sustentação dos flaps e caiu. A fumaça chegou ao terminal de cargas."Para o presidente do sindicato dos aeroviários de São Paulo, Uédio José da Silva, o acidente demonstra a falta de segurança em Congonhas. "Temos alertado que o aeroporto está saturado e precisa de melhores condições para operar."

Agencia Estado,

06 de junho de 2001 | 00h22

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