Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Queda de passageiros e exigências sanitárias na pandemia fazem ônibus e trens operarem no vermelho

Pesquisa mostra que, em média, apenas 40% dos passageiros continuaram usando transporte público durante a pandemia; medidas de isolamento social também limitaram uso de assentos

Marina Barros, especial para, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2020 | 16h00

A crise causada pelo coronavírus acertou em cheio o sistema de transporte público. Por todo o País, o desemprego, somado a escolas e universidades fechadas, além de empresas operando remotamente, provocaram uma enorme queda na demanda por viagens de ônibus, trens e metrôs, levando as empresas prestadoras de serviço a operarem no vermelho. Dados da NTU (Associação Nacional de Empresas de

Transporte Urbano) indicam que em média apenas 40% dos passageiros se mantiveram durante a pandemia. Em abril, eram somente 20%, de acordo com levantamento da Frente Nacional de Prefeitos (FNP).

Para complicar, há recomendações de isolamento a serem cumpridas. Ter passageiros um ao lado do outro ou viajando em pé se tornou sinônimo de risco, criando a necessidade de delimitar assentos vazios. Mas o formato não é viável economicamente. “A boa relação custo benefício do transporte público só existe quando há aglomeração, senão não é sustentável”, afirma a especialista do Banco Mundial Bianca Alves, que participou da série de lives Momento Mobilidade, do Estadão, parte da programação do Summit Mobilidade.

O estudo “Sustentabilidade financeira do transporte sob COVID-19”, feito pelo Banco Mundial com países da América Latina mostra que as restrições já trazem perdas em torno de US$ 1,1 bilhão por mês na região (R$ 5,8 bilhões), com os ônibus sendo os mais impactados. O órgão afirma que, embora haja expectativa de que as receitas se recuperem conforme as atividades voltem, as limitações impostas pelo distanciamento social e pela perda de postos de trabalho e evasão de instituições de ensino devem prolongar a contração.

Ao mesmo tempo, é fundamental manter o sistema funcionando. “É bom lembrar que em São Paulo apenas 40% da população pode trabalhar à distância, ou seja, a maior parte ainda depende de provermos um transporte de qualidade para se deslocar. E, de modo geral, quem pode fazer teletrabalho é usuário de carro”, diz Bianca.

Para a secretária municipal de Mobilidade e Transportes, Elisabete França, o ônibus tem uma capilaridade que permite a esse modal chegar onde o trem não chega, sendo portanto fundamental para qualquer cidade. No entanto, ela concorda sobre a dificuldade de equacionar receita e operação. “Assim como temos o Fundeb na Educação, talvez precisemos de mecanismos que sustentem o sistema de transporte público. É preciso pensar em fundos que em parte sejam custeados pelo usuário do transporte privado”, afirma. Para a titular da pasta, o momento é de transição entre o rodoviarismo, palavra masculina que marcou o século XX, e a mobilidade urbana, palavra feminina que é o termo do século XXI. “Não vamos transformar o usuário do carro em inimigo, mas temos um trabalho cultural a fazer, para que cada vez mais pessoas usem os meios de transporte em todas as suas variedades”, completa.

Bianca Alves e Elisabete França estão têm participação confirmada no Summit Mobilidade 2020, que acontece no próximo dia 12 de agosto a partir das 9h30 em formato digital e gratuito. Para conferir a programação completa e fazer a sua inscrição, acesse o site do evento, estadaosummitmobilidade.com.br

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