ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

Quedas respondem por 5% das mortes de crianças

Como o caso do menino de 5 anos que caiu do 26º andar de um prédio em Taboão; veja dicas para garantir a segurança em casa

Monica Reolom; Paula Felix, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2015 | 16h01

SÃO PAULO - Gustavo Souza Storto, de 5 anos, acordou à noite e se viu sozinho em casa. Assustado, acendeu as luzes, calçou os sapatos, apanhou a mochila e procurou uma saída, uma forma de encontrar a mãe. Escalou duas cadeiras e acabou caindo da janela do banheiro do 26.º andar de um prédio em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, nessa quarta-feira, 16.

Gustavo morreu na hora e se tornou mais um número nas estatísticas brasileiras, que mostram que acidentes são a principal causa de morte de crianças a partir de 1 ano de idade, segundo dados do Ministério da Saúde referentes à rede pública.

Em 2013, os acidentes foram responsáveis por 4.580 mortes de meninos e meninas de até 14 anos – mais de uma a cada duas horas. A principal causa, em 38% dos casos, foi o trânsito – seguido de afogamentos, sufocação e queimaduras. As quedas representam 5% dos óbitos.

Por outro lado, a queda é a causa dominante nas internações em hospitais pelo País e aparece em 47% das 122 mil hospitalizações de 2014. A análise dos números foi feita pela ONG Criança Segura, que visa a prevenir acidentes na infância.

“Se você tem um filho pequeno e tem uma janela em que não pode colocar a rede, faça supervisão constante, não pode deixá-lo sozinho. Porque criança não tem noção do perigo, das consequências, do risco”, afirma Gabriela de Freitas, coordenadora nacional da ONG Criança Segura. Gustavo caiu da única janela do apartamento que não tinha tela de proteção.

Os acidentes domésticos podem ser prevenidos com medidas simples, explica Gabriela. “Proteja todas as janelas e, se a casa tiver escada, coloque portão no topo e no pé. Produtos de limpeza devem ficar sempre no alto e as facas, guardadas em gaveta de difícil acesso. Explique desde sempre que fogo é perigoso e, quando a criança ainda não entender, não cozinhe com ela por perto”, aconselha.

Protetora. A designer de interiores Cristiane Vaz, de 41 anos, leva a segurança dentro de casa a sério e chegou a ser considerada pelos amigos e familiares uma mãe superprotetora em relação ao filho Pedro Henrique, de 6 anos. “Em casa, temos a segurança bastante visível. Para entrar nos cômodos, precisa de senha, biometria e chave tetra. Além disso, a casa inteira tem duas telas nas janelas: uma de proteção e outra para mosquitos, que acaba servindo como segurança também”, conta.

A designer, que mora na capital paulista, diz ter projetado um armário para remédios que não fosse possível para o filho alcançar. Os objetos que ela não quer que Pedro Henrique pegue ficam trancados com chave. “Ele é uma criança muito esclarecida, damos todas as informações, sem exceção. Contei para ele, que é muito curioso, o que aconteceu em Taboão de Serra”, ressalta Cristiane. “Se você trata qualquer assunto como tabu, as chances de ele acontecer na sua casa são grandes.”

O diálogo aberto com as crianças é uma das melhores maneiras de prevenir acidentes, ensina Gabriela, da ONG Criança Segura. “Deixar uma criança sozinha tem de ser uma coisa muito bem combinada com ela e deve ser feito somente quando a gente sente que está bem preparada, quando sentimos confiança de que está mais responsável. É todo um processo”, diz. Gabriela salienta, no entanto, que o ideal é deixar a criança sozinha somente a partir dos 8 anos e por períodos curtos.

“Sou zelosa em um nível bem alto, mas virei as costas um dia e ele entrou em um elevador sem mim. É muito rápido que acontecem as coisas e você não pode prever”, afirma Cristiane. Para ela, aí está a importância da prevenção. “Quanto mais se cerca de cuidados, melhor. Mas, ainda assim, tem de ter a ciência de sempre buscar informação e saber que há outros perigos que você não conhece.”

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