''Quem é eleito é que governa. Não existe governo terceirizado''

No último dia de campanha, Serra reforça em Minas crítica à estratégia de Dilma de se vincular a Lula

Christiane Samarco e Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

Na véspera da votação em segundo turno, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, reforçou a crítica à estratégia da adversária Dilma Rousseff (PT) de se vincular ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serra, que participou de uma carreata pela região sul de Belo Horizonte, rebateu Dilma e salientou que "não existe governo terceirizado".

Depois de questionar os resultados das mais recentes pesquisas - que apontam vitória da candidata petista -, o tucano disse que "está no fundo da alma" confiante em uma virada. "Agora, a decisão é do povo", ressaltou.

O presidenciável do PSDB prometeu, se eleito, um governo de união, "sem vinganças, sem ódio". A exemplo da petista - que também participou de carreata na capital mineira -, o tucano disse que sua gestão não vai discriminar governadores e prefeitos que apoiaram a candidatura adversária. ''"e eleito, vou trabalhar com cada um deles, independente da camisa partidária, pelo povo do seu Estado. Todos os governadores e todos os prefeitos", afirmou. "A gente governa pelo interesse público e não pelo interesse da carteirinha partidária."

Serra foi também enfático ao rebater Dilma, que mais cedo havia afirmado que ninguém a afastará do presidente Lula, com quem pretende manter uma relação muito "íntima e forte" caso eleita. "A gente sabe que ninguém governa no lugar de ninguém. A gente sabe que quem é eleito é que governa. Não existe governo terceirizado", disse. "Não é nem um problema de que é ruim ou é bom, mas não existe na história da humanidade, na história do Brasil e no presente, no mundo inteiro." O tucano preferiu não responder quando indagado se Lula havia exagerado durante a campanha. Já o ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves (PSDB) disse que "em alguns momentos o presidente Lula foi além de onde precisaria ir".

Sem vingança. O tucano salientou que o País "nos últimos 25 anos progrediu muito" e atribuiu o avanço à "herança das forças democráticas". "Isso não foi obra de um homem, de um partido, ou de um só governo", argumentou.

Disse que se for eleito vai reunir as forças democráticas do País e comandar "um governo aberto para a população". "Um governo sem vinganças, sem ódio, que junte tudo aquilo que o Brasil tem de bom para levar o Brasil para frente."

Ele assegurou que com o apoio dos senadores eleitos do PSDB e com a própria experiência parlamentar conseguirá construir uma maioria no Congresso caso chegue à Presidência. Argumentou que ao ocupar cargos do Executivo sempre tratou parlamentares da oposição com isonomia. "Isso é importante como decoro. Quem está chefiando o poder tem de ter altura."

Serra condenou o que chamou de loteamento político no governo Lula, segundo ele "base em que a corrupção prospera". "É o que, a meu ver, mais empurrou o Brasil na ladeira da improbidade nestes últimos anos."

Ao comentar o debate promovido pela TV Globo na sexta-feira, ele avaliou que as perguntas dos eleitores indecisos mostram a existência de dois países, o Brasil "da publicidade e o Brasil real". Segundo o tucano, os questionamentos dos eleitores evidenciaram o "retrato vivo" dos problemas do País.

Descontraído, ao fim da entrevista no Palácio Mangabeiras, Serra chegou a pedir o voto dos jornalistas, garantindo que ninguém vai se decepcionar caso aposte nele.

Carreata. Uma grande carreata pela região central de Belo Horizonte encerrou a campanha de Serra. O clima era festivo, de confiança. O candidato foi recebido por uma grande estrutura montada pelos tucanos mineiros. O presidenciável saiu acompanhado de Aécio e do ex-presidente Itamar Franco (PPS), também senador eleito por Minas.

Serra saiu em carro aberto do Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governo mineiro, e percorreu três quilômetros até o bairro Savassi, um circuito em áreas nobres de Belo Horizonte. Esse percurso foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 16, na companhia da candidata do PT, Dilma Rousseff. Na ocasião, Lula criticou o comportamento dos populares, que receberam a carreata petista com o polegar para baixo. Na mesma região da cidade, a candidata Marina Silva, do PV, teve expressiva votação no primeiro turno.

Ontem, o tucano teve boa receptividade no elegante bairro de Mangabeira, com faixas coloridas de apoio ao presidenciável e ornamentadas também com bandeiras do Brasil e de Minas Gerais. Muitos carros formaram o cortejo, principalmente carros de som, executando jingles da campanha o tempo todo.

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